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Trema Criativo

Publicado por Tulio em 30 de janeiro, 2010.

redacao perfeita para sites e blogs Trema Criativo 

Esta é uma redação (fato verídico) feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco -Recife) e que obteve vitória em um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.
 
  “Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo  se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da  vida. E o artigo era bem definido, feminino singular: era ainda  novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.  Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário  dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem  ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de  lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar  alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador  recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára  justamente no andar do substantivo.Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.  Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma  fonética clássica, bem suave e gostosa.Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo  para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo quando ele começou outra vez a se insinuar.  Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto   adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os  vocábulos  diziam que iriam terminar num transitivo  direto.
 Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo  seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.  É claro que ela se deixou levar por essas palavras,  estava totalmente  oxítona às vontades dele, e foram para o comum de  dois gêneros.  Ela  totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias,  parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns  próclise, e ele, com todo o seu  predicativo do objeto, ia tomando conta.
 Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era  um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando  aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos  dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições,  locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônia, ou melhor,  subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu  particípio na história.

 Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora  por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e
mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nemcomparativo: era um superlativo absoluto.
 Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.
 Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, > propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
 Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido  depois dessa, pensando em seu infinitivo resolveu colocar um ponto  final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez  mais fiel à língua portuguesa,  com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.”

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Comentários do Usuário

  1. elisabeth de souza nunesNo Gravatar | janeiro 30th, 2010

    que incrivel a criatividade gramatical da moça ……..e o conhecimento, isso é uma vivencia das suas entranhas

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