Madrasta e padrasto devem saber o seu papel na criação do enteado
Publicado por Tulio em 20 março, 2010.

O número de casais que se separam tem aumentado. Ninguém mais insiste numa relação que parece não ter mais para onde progredir. Descasar ficou tão banalizado que, não raro, vemos um casal se separar por qualquer motivo.Parece que as pessoas estão procurando algo de muito inusitado num casamento. Passam a vida casando, descasando… e tendo filhos.
Nessa brincadeira, em que desfazer uma família tornou-se algo simples, quem acaba sofrendo são os filhos, tanto por se afastarem de um dos pais, quanto por terem que conviver com outras pessoas que vão surgindo na vida deles pelas novas uniões. Além de terem um pai e uma mãe, acabam tendo madrastas e padrastos, meios-irmãos e até relação com os filhos dos novos cônjuges dos pais, que não sei como denominar.A estrutura pai, mãe e prole está deixando de ser a usual. Aquela família que tinha um modo de ser acaba tomando novos rumos e os filhos têm que se adaptar de algum modo.
Às vezes, isso pode trazer confusão na cabeça deles, principalmente quando são pequenos. Para que tudo vá bem e as coisas possam transcorrer tranquilamente, tem que haver muita maturidade dos adultos. Embora, penso não ser muito maduro tanto casa/descasa. Traz à tona a superficialidade com que as pessoas estão tratando as relações humanas: se algo desagrada, pula fora.Um aspecto importante é que madrasta ou padrasto não substitui o outro para a criança. E, mesmo que ela comece a tratá-lo como tal, deve ser esclarecido quem é o verdadeiro.
Embora em muitos casos a separação do casal seja o melhor para aquela família, o sofrimento sempre permeia esse processo. A discórdia aparece e é comum um deles se afastar da prole, principalmente daquele que não detém a guarda, seja porque se coloca de fora ou por sofrer um boicote. Fica a idéia de que aquele que não está junto é a pessoa que abandonou a família.
Com isso, os filhos acabam arcando com o pior de um divórcio – sentir-se abandonado por um dos pais. Porta aberta para que se afeiçoem à nova pessoa, que se sente pai ou mãe daquela criança, principalmente se não tiver descendentes. Cria-se um terreno propício para rivalidades e ciúmes, com interferências na criação das crianças.
E os pequenos têm que lidar com a mãe, o pai, a madrasta e o padrasto (e irmãos nas suas várias versões), numa situação desconfortável de estar traindo alguém. Sem contar as diferentes regras e modos de ver as coisas que lhes são passados. Terão que lidar com tudo isso e mais o peso de estarem magoando alguém. Afinal, não dá para agradar a gregos e troianos.
A confusão está feita.
É necessário que cada um saiba bem qual é seu papel. Que ninguém pense que juntar duas famílias que passaram pelo sofrimento da separação seja algo fácil. Não é! As crianças, a não ser no caso de viúvos ou pais desaparecidos, têm pai e mãe que são autoridades para elas e responsáveis pela sua educação e criação. O outro deve ter consciência de seu lugar – cônjuge de um dos seus pais.
A criança precisa ter preservado o seu direito aos pais verdadeiros. Para ela, por piores que possam ser, eles são sagrados.
Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga
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