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‘Estou na infância da velhice’, diz Caetano Veloso

Publicado por Tulio em 17 abril, 2010.

Caetano Veloso

 

Para Caetano Veloso, o tempo ajuda a melhorar, a se renovar e a incorporar aprendizagens para seguir desfrutando de uma música que deu ao cantor reconhecimento mundial. “Estou na infância da velhice. Sem querer, dediquei toda a minha vida à música popular e foi algo muito bom porque desde muito pequeno adorava cantar”, disse Caetano à AFP, em uma série de entrevistas via e-mail, antes de sua chegada a Miami para um show na terça-feira (20).

Caetano, de 67 anos, conta que quando era jovem tinha outros interesses, como a literatura e o cinema, mas que a música foi se impondo em sua vida com força.

Ele diz que se sente “agradecido”, como “se uma mulher bonita o tivesse escolhido”, e que, por isso, trabalha “como se não tivesse dado ainda tudo que ela merece”.

O mais popular e reconhecido músico brasileiro contemporâneo mencionou o crescimento da música em espanhol nos Estados Unidos e a influência da brasileira, e disse que a entrada de sua obra no mercado americano não é um objetivo que o motiva.

“Não penso em ganhar ou perder espaço nos Estados Unidos, e sim, em poder fazer uma música melhor do que a que fiz até agora. Vejo o futuro de uma perspectiva mais brasileira, que não depende muito dos Estados Unidos”.

Em relação ao restante do continente, ele diz que o “Brasil é um estranho e enorme país onde as pessoas falam português”, o que o diferencia da grande onda hispânica ou do mercado latino que vem influenciando os americanos.

No entanto, a música brasileira conta com figuras como “Carmen Miranda, João Gilberto, Tom Jobim e Milton Nascimento” que são conhecidos e admirados por muitos em um país que fala inglês e que é o mais poderoso do mundo, e isso é muito valorizado por nós”, completou.

Reggaeton e funk carioca

Sobre as novas tendências musicais, Caetano diz gostar do “reggaeton e também do funk carioca”, apesar de considerar um estilo “muito menos polido”.

E em relação às novas gerações de músicos no Brasil, afirma que se deve prestar atenção tanto na cantora de samba e bossa nova Roberta Sá, como nas bandas alternativas Babe Terror e Rabotnik.

Pensa em Miami como um lugar em que há forte impacto da música latina e diz que em seu show, no teatro Fillmore de Miami Beach, espera encontrar muitos imigrantes hispânicos e brasileiros que vivem na cidade, mas também alguns “jovens americanos que me descobriram através de David Byrne, Beck, David Longstreth, Devendra Banhart e Panda Bear, que se interessaram pela minha música”.

A apresentação em Miami tem também uma sensação especial porque é sua primeira visita aos EUA desde que o presidente Barack Obama, por quem sente um “particular afeto”, chegou à Casa Branca.

“O look de Obama encanta tanto a mim como às minhas irmãs, porque se parece muito com nosso pai, que era um mulato elegante, com as orelhas de abano”, disse.

“Acredito que sua chegada à presidência é um grande acontecimento”, completou Caetano, que valoriza as conversas iniciadas por Washington com a Rússia para reduzir os arsenais nucleares e o possível fechamento de Guantánamo, mas lembra: “os Estados Unidos não podem apagar no Afeganistão as mentiras do Iraque”.

Fonte G1

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A família Nelia (Foto: Rodrigo Bustamante/BBC Mundo)

Um grupo de nove haitianos que havia sobrevivido ao terremoto do Haiti, em 12 de janeiro, e foi buscar refúgio no Chile foi surpreendido por mais um pesadelo quando o país foi sacudido por um terremoto de magnitude 8,8 na semana passada.”No Haiti me resgataram de debaixo de uma casa e eu me sinto com sorte de ter saído de lá com vida. Entrar no Chile e me encontrar com a mesma situação, não podem imaginar como me senti, em que estado de impotência. Foi o pior que poderia ter me acontecido”, relatou Joseph Desarmes à BBC.

Depois de escapar do tremor de magnitude 7 no Haiti, Desarmes conseguiu se refugiar no Chile com sua mulher Jeanelia Pierre, seus filhos Quinchy e Stanley, sua neta Standerly Nelia e quatro amigos por interferência de seu filho Pierre Desarmes, um cantor haitiano radicado no país sul-americano graças ao sucesso de sua banda, Reggaeton Boys.Sem falar espanhol (somente Pierre fala o idioma local) e, por consequência, sem poder arrumar um emprego, o grupo de haitianos conseguiu ao menos se estabelecer em Santiago, na capital de um país organizado que lhes oferecia uma perspectiva de vida tranquila.

Porém, tudo mudou às 3h34 (horário local) do sábado, 27 de fevereiro, quando grande parte do território foi assolada por um forte terremoto que os colocou novamente no inferno e que os aproximou da morte outra vez.”Pensei que morreríamos, porque deixamos um lugar como o Haiti com tanto desastre para trás e viemos para cá pensando que estávamos a salvo, mas nos encontramos com algo pior. Pensei que este era o ano de minha morte”, relatou à BBC Mundo Stanley Desarmes, com a tradução de seu irmão Pierre.

O jovem haitiano também disse que “quando a terra começou a balançar, a primeira pessoa que agarrei nos braços foi Nelia. Toda a família se jogou ao chão. Estávamos juntos rezando e dissemos: ‘aconteça o que acontecer, pelo menos vamos morrer juntos’”.

  ‘Até quando, meu Deus?’

Os rostos da família Desarmes denotam uma constante preocupação, ao ponto de passarem os dois primeiros dias após o terremoto no jardim da casa. Somente na segunda-feira almoçaram dentro da residência.O cantor Pierre Desarmes comentou que no momento do sismo, sua mãe se lançou ao chão apontando aos céus e pronunciando algumas palavras como que perguntando “até quando, meu Deus?”, sem entender por que o pesadelo se repetia.

“A primeira coisa que pensamos em fazer foi nos jogarmos ao chão juntos. Todos fechamos os olhos e se teríamos de morrer, nós iríamos morrer juntos”, disse Jeanelia Pierre para explicar a reação que a família teve.Pierre admitiu que seus familiares não estão bem psicologicamente por causa do que tiveram de enfrentar duas vezes e sustentou que vai ser necessário um árduo trabalho para que recuperem a confiança e comecem a deixar para trás suas experiências traumáticas.

“Nem ao menos haviam se esquecido do tremor do Haiti e vêm se encontrar com um ‘terremotaço’. Porque não foi um simples terremoto. Foi realmente algo difícil de acreditar. Para eles é inconcebível”, disse o líder dos Reggaeton Boys.”Estou sendo pai, irmão, primo, assistente, psicólogo. Eles acreditam que qualquer situação assim é de morte, e eu tenho que ser forte para ir demonstrando a eles que as coisas aqui não são tão graves”, complementou o cantor.

O terremoto de magnitude 8,8 é considerado o quinto mais potente da história moderna e até o momento já deixou mais de 795 mortos, enquanto que o do Haiti alcançou magnitude 7 e deixou mais de 230 mil vítimas fatais.

Fonte BBC

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