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Guia turístico brasileiro é detido no Egito

Publicado por Tulio em 25 agosto, 2010.

untitled1 Guia turístico brasileiro é detido no Egito

Um guia turístico brasileiro está detido no Cairo, capital do Egito, sob a acusação de promover atividades religiosas, o que é proibido pelas leis locais.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, o homem, que vive no Egito, foi detido com outras duas brasileiras, que já foram liberadas.

A namorada do brasileiro, que vive no Maranhão, disse que ele ia visitar as pirâmides e foi detido por policiais que encontraram as bíblias e folhetos evangélicos no carro em que ele viajava.

De acordo com o Itamaraty, a embaixada do Brasil no Egito está tomando providências para que o brasileiro seja liberado.

Fonte G1

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O vice-presidente José Alencar criticou nesta terça-feira o cineasta James Cameron, diretor de “Avatar”, pelas críticas à construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Cameron participou nesta segunda-feira (12), em Brasília, de protesto contra a usina. “É uma pessoa. Se passar da conta, tem que dar um ‘pito’ nele”, disse José Alencar. 

Foto: Evaristo Sá/AFP

O diretor James Cameron (esq.) e a atriz Sigourney Weaver participam de protesto contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte (Foto: Evaristo Sá/AFP)

Ele afirmou que a usina hidrelétrica precisa ser construída, por seu porte gigantesco e potencial de geração de energia. Nesta terça, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou o adiamento para sexta-feira (16) do prazo de inscrição para os consórcios interessados em participar do leilão da usina. 

 Em Brasília, Cameron Brasília disse que “o problema de Belo Monte não é só do Brasil” e que iria pedir apoio de congressistas norte-americanos na luta contra o projeto. “Esta não é uma questão só do Brasil, mas do mundo todo. Vou para Washington para conversar com senadores”, afirmou.

Segundo o cineasta, a usina vai desalojar a população ribeirinha e pode acelerar o aquecimento global. Ele explicou que a construção da hidrelétrica vai provocar a inundação da vegetação nativa e gerar gás metano. “Washington deve ter interesse [em evitar a usina]. É um problema internacional. O reservatório vai provocar o impacto do metano, que é 20 vezes mais danoso do que o gás carbônico”, afirmou.

O diretor também defendeu que os Estados Unidos contribuam com a preservação da floresta Amazônica através de financiamentos para projetos ambientais. “Se evitar o aquecimento global significa preservar a floresta Amazônica, então os Estados Unidos devem contribuir, inclusive financeiramente”.
O diretor de ‘Avatar’ disse esperar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se convença dos danos que a construção da usina supostamente pode provocar. “Eu o desafio a ser um líder, o líder do século 21”, disse.

O cineasta afirmou ainda que um projeto da magnitude de Belo Monte não pode ser iniciado sem que especialistas ambientais e a população afetada sejam ouvidos. “Não se decide se um projeto é bom ou ruim depois de iniciado o processo”, criticou.

Fica a pergunta : Quem chamou Cameron na coversa ? Desde quando um estrangeiro pode protestar sobre problemas internos. No país dele, temos certeza que seríamos presos e mandados de volta pro país de origem.

Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, defendeu a construção de Belo Monte e disse que a legislação ambiental foi respeitada.

Fonte G1

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Sete bebidas tipicamente brasileiras

Publicado por Tulio em 31 março, 2010.

 

Pelas ruas de São Luis, no Maranhão, o refrigerante cor-de-rosa com notas de canela é mais popular do que a Coca-Cola. É o Guaraná Jesus. No Paraná, um refresco gasoso à base de gengibre foi batizado de Gengibirra. E tem a Cajuína, cristalina, em Teresina.

O antropólogo Raul Lody anota que, como ocorre com as comidas típicas, as bebidas regionais do Brasil são influenciadas pelo clima, a vegetação e os costumes locais. E são várias. Lody classifica esses produtos por situações. “Existem as bebidas de cotidiano (refrigerantes, refrescos e licores), as de festa (quentões, batidas), que envolvem rituais culturais, e as de partilha”, explica. “O chimarrão é assim. As pessoas se reúnem e todos partilham a mesma cuia.” Entre as artesanais, feitas em casa, o aluá é um refresco à base de casca de abacaxi ou farelo de milho muito consumido no norte e no nordeste do País.

Veja a seguir uma relação dos produtos regionais mais populares, seus ingredientes, influências e histórias.

Aluá
É um refresco de origem indígena e baixa dosagem alcoólica obtido da fermentação de casca de abacaxi, milho triturado ou arroz. Muito popular em diversas regiões do Brasil a receita artesanal tem variações no preparo e tipos de ingredientes de acordo com a localidade, mas é mesmo mais comum no norte e nordeste.

No Acre e na Amazônia é comum usar o milho triturado ou a farinha de milho, já em Belém do Pará usam cascas de frutas como o abacaxi, a raiz de gengibre (esmagada ou ralada), o açúcar (ou o caldo de cana) e o sumo do limão. O antropólogo Raul Lody tem uma receita de aluá: coloque num pote de barro milho seco maduro, rapadura, gengibre e água. Deixe descansar por três dias. Coe e sirva bem gelado. Outra versão descrita pelo escritor é a feita com casacas de abacaxi, açúcar e água. “Coloque tudo em uma garrafa e enterre-a por três dias. Também toma-se gelado”.

Cajuína
A abundância do caju no estado do Piauí originou a bebida mais popular da região. Cantada por Caetano Veloso, nos versos de Cajuína, é símbolo cultural da capital Teresina. O refresco não é alcoólico e é obtido de forma artesanal a partir do suco do caju, filtrado, clarificado e esterilizado. A cor amarelo-âmbar se deve à caramelização dos açúcares naturais da fruta. A cajuína é consumida gelada.

Chibé
Muito popular entre os caboclos paraenses, é considerada comida por muitos devido ao seu valor energético, semelhante ao da gemada. É feita com água e farinha de mandioca processada. Na cuia, coloca-se a farinha e em seguida a água e, depois, tradicionalmente, se movimenta tudo da esquerda para a direita. Os nativos tomam o chibé duas a três vezes ao dia e acreditam que ele ajuda a vencer as dificuldades da vida e a repor as energias. Às crianças costumam adicionar açúcar, mel ou rapadura.

 Sete bebidas tipicamente brasileiras
 
Foto: David Santos Jr./Foto Arena
Tereré do restaurante Sobaria, em São Paulo: a bebida é feita da erva verde seca. É bebida gelada em uma guampa (recipiente feito de chifre de boi
)

Chimarrão e Tereré
Provenientes da erva mate, tanto o chimarrão quanto o tereré são típicas bebidas de partilha com algumas peculiaridades. O chimarrão do Rio Grande do Sul é como um chá feito da erva torrada e servido quente na cuia. Já o tereré, do Mato Grosso do Sul, é feito da erva verde seca. É bebido gelado em uma guampa (recipiente feito de chifre de boi). Ambos usam a bomba (canudo de metal com uma base redonda fechada e pequenos furos que filtram a erva).

O hábito de tomar o chimarrão e o tereré tem estreita ligação com os países vizinhos Paraguai e Uruguai. E o ritual que envolve a bebida também é parecido nos dois estados. As pessoas se reúnem em torno da cuia ou da guampa para saborear a bebida. No Mato Grosso do Sul, o pantaneiro costuma tomar o tereré no início da manhã e no início da tarde.

Extrato de Açaí
O açaí vem de uma palmeira muito comum no estado do Pará. Ela dá, sobretudo durante a seca, coquinhos do tamanho de uma cereja. O fruto de cor violeta-escura, quase negra, é escolhido e amassado para se tornar a bebida mais tradicional da região: o extrato de açaí, uma verdadeira paixão belenense. “É tomado com ou sem açúcar, com farinha d’água, farinha seca ou farinha de tapioca. Na forma de sorvete ou em mingaus, como se fosse leite, um leite vermelho misturado na papa de arroz, farinha de mandioca ou mandioca-puba”, explica Guta Chaves.

 Sete bebidas tipicamente brasileiras
 
Foto: David Santos Jr./Foto Arena
Gengibirra, refrigerante à base de gengibre muito popular no Paraná. No Amapá, existe uma receita artesanal e alcoólica

Gengibirra
O nome batiza alguns tipos de bebidas a base de gengibre. No Paraná, popular mesmo é a Cini Gengibirra. No processo industrial de fabricação do refrigerante a raiz descansa por um ano em decantação antes de entrar na receita.

Os locais costumam creditar à bebida efeitos de expectorante e até mesmo de afrodisíaco. Existe uma versão caseira que, além de gengibre, leva água e açúcar, fermento biológico e claras em neve para dar o efeito gasoso à bebida.

No Amapá, a Gengibirra já não é assim tão inocente. Servida nas rodas de batuque, leva gengibre ralado, fervido em um litro e meio de água com cravos da índia e açúcar caramelado. Depois de fervida a mistura, adiciona-se cachaça a gosto. Todas as versões são consumidas geladas.

 Sete bebidas tipicamente brasileiras
 
Foto: David Santos Jr./Foto Arena
Guaraná Jesus, o sonho cor-de-rosa do Maranhão

Guaraná Jesus
No Maranhão, o Guaraná Jesus é carinhosamente conhecido como o “sonho cor de rosa”. É um raro fenômeno de resistência regional às grandes marcas globais de refrigerantes. A jornalista e pesquisadora Guta Chaves conta que a fórmula da bebida é a mesma criada em 1920 num laboratório de fundo de quintal, em São Luís, pelo farmacêutico Jesus Norberto Gomes. Na época, ele tinha acabado de importar uma máquina de gaseificação.

Gomes queria produzir uma espécie de magnésia fluída, mas não deu certo e ele resolveu fazer uma bebida para os netos a partir de 17 ingredientes básicos, entre eles ervas e produtos que descobria em suas viagens pela Amazônia. O gostinho de canela adocicada e a cor diferente agradaram a molecada de toda a vizinhança e, com o tempo, a bebida caiu no gosto popular.

A história do Guaraná Jesus confunde-se com a de seu criador. Tanto que quando lhe foi exigido o registro formal do produto já conhecido informalmente por “Guaraná de Jesus”, assim permaneceu. “O refrigerante, que tem a mesma fórmula há 80, foi comprado recentemente pela Coca Cola Brasil e talvez por isso o nome tenha mudado para Cola-Guaraná Jesus”, explica a pesquisadora.

Fonte G1

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“Porca gorda”

Publicado por Tulio em 25 março, 2010.

 

bailarina+gorda “Porca gorda”

Assisti à “Gorda”, peça teatral em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. Ri muito. Em certo momento, meu riso ficou triste. Eu estava triste. Não pela gorda da peça, mas por me reconhecer no preconceito contra ela. No final, chorei.

Este é o enredo. Helena e Tony se conhecem num restaurante. Ela é gorda. Não gordinha. Gorda mesmo. Helena é vivida com muita competência pela atriz Fabiana Karla, de Zorra Total (TV Globo). Segundo a sinopse oficial, a personagem está 30 quilos acima do peso. Se compararmos com uma das modelos da moda, deve estar uns 50. Tony (o ótimo Michel Bercovitch) gosta dela. Ela é inteligente, divertida, sensual. Bonita. Helena gosta dele. Os dois se apaixonam. Mas, como um cara jovem, bem sucedido, MAGRO e disputado pelas mulheres MAGRAS pode escolher uma gorda, amar uma gorda, ser feliz com uma gorda?

A reação social diante da versão de amor impossível da nossa época é protagonizada por Caco (Mouhamed Harfouch), amigo e colega de trabalho de Tony, e por Joana (Flávia Rubim), sua ex gostosa, cujo maior temor da vida é engordar. São eles que representam, no enredo e no palco, pessoas como nós – sempre menos magras do que gostariam, magras o suficiente para não serem chamadas de gordas na rua.

O texto do americano Neil Labute é inteligente, rápido, fatal. Rimos muito. Primeiro, com ela. Helena é uma mulher bem-humorada. Como muitos gordos, defende-se fazendo piadas sobre seu tamanho. A velha regra: adiante-se, ria de si mesmo, antes que os outros o façam com a crueldade habitual. Se perder o timing, não acuse o golpe – ou nunca mais o deixarão em paz.

Aos poucos, começamos a rir muito dela (e não mais “com” ela), pelas piadas de Caco, ao descobrir que o amigo está namorando uma “porca gorda”. Fat Pig é o nome original da peça. Mas gostamos de Helena, testemunhamos o apaixonamento dos dois, sabemos que eles são felizes juntos. E passamos a nos sentir mal de rir, ainda que continuemos rindo. Não queremos ser como Caco – muito menos como Joana. Mas somos tão parecidos!

Nós – o senso-comum sentado na plateia – somos o mais próximo de um vilão que esta peça produz. O texto e os atores são competentes o suficiente para fazer com que a gente prefira não vencer. Torcemos para que Helena e Tony consigam ficar juntos, apesar de nós. Torcemos para que eles consigam vencer nosso preconceito e nos tornar melhores do que somos. Não sei se torceríamos assim num episódio da vida real. E esta é a questão que a peça também nos deixa.

O final é brilhante.

Acho que vale a pena pensar sobre as questões que esta peça provoca. Começando por: qual é o nosso problema com os gordos?

Sobre a transformação do padrão de beleza, das rechonchudas musas da Renascença às modelos esquálidas e/ou musculosas de hoje, já se escreveu bastante. A pergunta que me desperta maior interesse não se refere – apenas – ao fato de acharmos as gordas feias, de relacionarmos gordura com feiúra. A questão que mais me intriga é: por que muitos acham as gordas (e os gordos) repugnantes? Se você não disse ou pensou, já ouviu alguém dizer: “olha que gorda nojenta!”.

Horrível. Mas tão comum que nos obriga a ir em frente.

Com todas as diferenças que, para nossa sorte, garantem a diversidade do mundo, somos impelidos a ser politicamente corretos. Fazer piadas com aquelas que foram as vítimas de sempre até não muito tempo atrás, como negros, gays, deficientes etc, pega mal hoje em dia. Temos de ser politicamente corretos ou corremos o risco de ser processados – ou mesmo de acabar na cadeia. Por que o privilégio de não ser ridicularizado não foi estendido aos gordos? Sobre os gordos podem ser ditas as coisas mais cruéis. E ainda se manter do lado certo da força.

O que diz o senso comum sobre os gordos? Primeiro, que são feios. Em geral, o máximo de elogio que um gordo consegue arrancar é: “Que pena, tem um rosto tão bonito…”. Dizem que são preguiçosos. Se fizessem exercícios – e como ousar não se exercitar neste mundo? – perderiam aquela pança. Afirma-se também que são sem-vergonhas. Se tivessem vergonha na cara, respeito próprio, fechariam a boca e seriam magros. E, então, poderiam pertencer ao clube dos magros felizes (????!!!!).

Portanto, segundo o senso comum, além de feios e preguiçosos, gordos também teriam falhas de caráter. E, como tudo, para as mulheres acima do peso é ainda pior. Neste mundo em que se compram peitos, bocas e bundas no crediário, soa imperdoável não arrancar a gordura à faca. Já ouvi muitas vezes frases como estas, referindo-se a alguém com mais quilos do que o “permitido”: por que não faz logo uma cirurgia de redução de estômago? Seguida por uma cirurgia reparadora e uma lipoescultura? Simples assim.

Sobre o estado psíquico dos gordos, a percepção é confusa. Por um lado, persiste a ideia de que todo gordo é engraçado. É um pândego. Como bobo da corte ou comediante, ele pode ser aceito. Nós mesmos, só conhecíamos Fabiana Karla como atriz do Zorra Total. Ninguém imaginou que, ainda que fazendo o papel de “gorda”, ela pudesse ter outros recursos que não a graça. Que os gordos mostrem nuances que não virem piada nos surpreende. Que eles possam nos fazer pensar sobre outras dimensões da vida é inesperado. Que tenham questões existenciais que não girem em torno de uma balança é estarrecedor.

Por outro lado, o senso comum também diz que, se é gordo, só pode ser infeliz. A maioria de nós acredita e repete isso. Fulano come demais, é infeliz. Fulano não consegue fechar a boca, é infeliz. Fulano compensa a infelicidade comendo. Ora, desde quando magreza se tornou sinônimo de felicidade? Você, magro ou magra, é loucamente feliz? Está rolando de rir vida afora? Ops, magros não rolam.

O mais disfarçado dos preconceitos vem embalado pelo discurso da saúde. É verdade que a obesidade está crescendo no Brasil. E é verdade que isso é sério. E é legítimo e relevante pensar e discutir o fenômeno com responsabilidade.

Mas será que não há um exagero nisso? Ou pelo menos do uso preconceituoso que se faz de uma questão tão séria? Hoje, quando olham para um gordo, além de feio, preguiçoso e sem-vergonha, muitos enxergam também um doente. Gordura virou sinônimo de doença. E nossa sociedade, que morre de medo de morrer, foge da doença. E das pessoas doentes. Os gordos parecem ser os leprosos de nosso tempo. E esta seria minha primeira hipótese para a repugnância que as pessoas gordas parecem evocar.

Não se trata de afirmar que a gordura não está relacionada a doenças – ou que a obesidade não seja uma doença. A Organização Mundial da Saúde afirma que é, quem sou eu para discordar. Só tento mostrar que é preciso tomar cuidado para não cometermos as mesmas crueldades que nossos antepassados consumaram ao exorcizar epiléticos, isolar leprosos. Todas essas práticas sempre foram realizadas em nome do “bem”. Guardadas as proporções e o momento histórico, nossa sociedade pode estar transformando os gordos, com os instrumentos desta época, nos culpados pela nossa impotência diante da doença e da morte.

Hoje a vida tornou-se uma patologia. Difunde-se que muito do que sentimos não deveríamos sentir. O ideal seria só sentir alegria num corpo magro, musculoso e eterno. Para cada sentimento e estado que extrapole estes limites impossíveis há uma patologia e uma penca de remédios e procedimentos cirúrgicos para “curá-la”. Acredito que vale a pena ter um pouco de cautela, enfiar alguns pontos de interrogação na cabeça, antes de sairmos rotulando todos os gordos como doentes. E, pior, com uma doença que dependeria só de boa vontade individual para ser curada.

Eu sou mais ou menos magra. Longe, bem longe do peso de uma modelo, mas ninguém me chamaria de gorda na rua. A maior parte da minha família é magra. E todos nós temos doenças. Eu tenho quatro hérnias de disco. Meu pai, mesmo com um metabolismo fenomenal e índices de colesterol e triglicérides perfeitos, tem problemas cardíacos desde jovem. Meu irmão do meio não tem um grama de gordura a mais no corpo, come alimentos saudáveis e se exercita com método: a cada semana corre quatro dias, faz musculação e natação em outros dois. Ainda assim, é um pré-diabético.

Parece-me lógico que o envelhecimento traga doenças. A vida nos gasta. Nosso corpo também tem prazo de validade. Pela biologia, estamos prontos para morrer assim que alcançamos a idade reprodutiva, transmitimos nossos genes e criamos nossa prole. Conseguimos, à custa da Ciência (e ainda bem que conseguimos!) espichar nosso tempo de vida e até com qualidade crescente. Mas, infelizmente, não vamos nos livrar das doenças. Nem de morrer. É duro olhar para os limites. Mas não fazê-lo pode ser pior.

Os gordos podem ser vítimas de nosso medo de morrer. Pagam um preço alto pela nossa dificuldade de lidar com a desordem inerente à existência humana. Tornamos suas vidas insuportáveis – inclusive as lojas bacanas, que se recusam a oferecer números maiores que 42 – porque eles apontam em seus excessos aquilo que nos falta a todos: controle sobre a vida. Esta é uma hipótese, apenas. Acredito que existam muitas outras.

Acho importante tentar compreender porque insistimos em jogar os gordos na fogueira contemporânea. Por todas as razões que dizem respeito à vida de todos – e principalmente para não infligirmos sofrimento ao outro que nos ameaça com sua diferença. Só sei o óbvio: tanto medo, capaz de causar repugnância, revela mais sobre os magros do que sobre os gordos.

Talvez, num dia próximo, não seja preciso escrever em termos de “nós” – e “eles”. A vida é diversa. Sempre houve os magros, os gordos, os altos, os baixos, os de olhos azuis, os de pele escura. Esta riqueza é um patrimônio humano que fez muito bem à espécie. Ser capaz de reter gordura, aliás, garantiu nossa sobrevivência por milênios. Quando os gordos lutam para ser magros, estão brigando contra a biologia. Algo nada fácil de fazer. Muito menos de vencer.

Se engordamos – por herança genética ou outras razões –, não há um só caminho a seguir, uma única estrada para a luz. Pelo menos acredito que não. Emagrecer não é a única alternativa – seja para atender ao padrão de beleza vigente ou para responder ao modelo de saúde atual. A vida é um pouco mais complexa que isso. E há muitas maneiras de medir sua qualidade – assim como o significado de uma existência plena varia de uma pessoa para outra tanto quanto sua disposição genética para esta ou aquela doença.

Se um dia eu engordar muito e tiver problemas de saúde por causa do peso, possivelmente vou optar por continuar comendo minha feijoada semanal. Porque comer o que gosto é uma dimensão essencial da vida para mim – importante o suficiente para não abrir mão dela. Para outra pessoa, privar-se de seus pratos preferidos pode valer a pena em nome de uma vida mais longa ou de vestir um tamanho 38. Cada um tem suas prioridades. É bom lembrarmos que o pensamento dominante atual sobre a saúde não é apenas um produto do avanço da medicina, mas um produto da cultura. E do mercado.

A “gorda” da peça teatral não quer ser magra. Depois de um percurso sofrido na adolescência, ela gosta do que é. E nós, na plateia, também gostamos. Em determinado momento, percebemos que, se ela reduzir o estômago e fizer uma super dieta, algo essencial dela se perderá. Não é apenas uma questão de arrancar gordura do corpo. O que está em jogo é bem mais do que isso.

“Gorda” nos dá a oportunidade de enxergar mais que um acúmulo de células adiposas em outro ser humano. Ao olhar para Helena, a personagem da Fabiana Karla, nos deparamos também com o tamanho extra-large de nosso preconceito. Mesmo quando embalado em nossas melhores intenções.

Fonte : Época por Eliane Brum

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A IDADE DA MUDANÇA

Publicado por Tulio em 13 março, 2010.

 A IDADE DA MUDANÇA
 
 
Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher.
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades.
E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível…
A platéia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito.
Aí fiquei pensando: ‘pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?’
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se “mudança”.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.
Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.
Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho…
 
Lya Luft

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Quanto custa voar de graça?

Publicado por Tulio em 28 fevereiro, 2010.

Fotos: Arquivo pessoal

O empresário Heraldo Ribas, de 58 anos (nas fotos com a família), viajou para Paris, Roma, Orlando, Fernando de Noronha e Vale Nevado, no Chile, sem pagar nada pelas passagens aéreas. Na próxima semana, embarca para Aruba com a família – e mais uma vez não vai tirar um tostão do bolso. “Tudo o que compro no cartão vira milha no fim do mês”, diz o empresário.

No ano passado foram mais de 4 milhões de bilhetes gratuitos emitidos pelas duas maiores companhias aéreas do Brasil: Gol e TAM. São 6,6 milhões de clientes no programa Smiles (smiles.com.br), da Gol, e 6,6 milhões no programa TAM Fidelidade (tam.com.br). Fazer parte de um deles – ou dos dois – é o primeiro passo para quem deseja voar sem custo. A adesão é gratuita pelo site. Muita gente, porém, se queixa de que é difícil acumular pontos e que, mesmo com eles, não se conseguem as passagens na quantidade ou na data em que se precisa. Mas há maneiras de contornar as duas dificuldades.

Ganhar pontos (ou milhas, depende do programa) está se tornando cada vez mais fácil. Antes, as pessoas só somavam pontos voando. Agora, há várias maneiras de ganhar milhas. As empresas aéreas têm centenas de parceiros que ajudam a acumular milhas ou pontos. Basta apresentar o número do programa de fidelidade da empresa aérea em restaurantes, hotéis, locadoras de veículos, farmácias, spas, entre outros serviços associados. O ganho é dobrado: na compra do serviço e no pagamento da fatura do cartão de crédito, que também soma pontos. São atalhos para quem deseja chegar antes ao bilhete prêmio, como é chamado o assento gratuito.

A Gol libera a venda de assentos 330 dias antes
do embarque – é a chance para quem voa com milhas

O cartão de crédito é a principal fonte de milhas de Heraldo Ribas. Ele é empresário e faz as compras de sua empresa no cartão. A cada R$ 1,80 pagos na fatura, ganha 1 milha no cartão Smile. E a cada 10.000 milhas ganha um trecho pelo Brasil. Os clientes do cartão TAM Fidelidade têm a possibilidade de juntar até 400.000 pontos na compra de um imóvel, devido a uma parceria com a construtora Cyrela, pontos suficientes para embarcar quatro pessoas na primeira classe para a Europa ou os Estados Unidos.

Acumular pontos ou milhas, porém, não é garantia de um assento na aeronave. A Gol reserva poucos lugares para passageiros que trocam milhas. O número varia por voo: os mais concorridos tendem a oferecer menos lugares, os menos concorridos mais assentos. Ninguém sabe qual é a proporção exata reservada aos clientes com milhas. A Gol não informa. Sabe-se apenas que, na prática, conseguir um bilhete prêmio nas férias ou na véspera de feriado é quase impossível. A dica para obter um lugar nas datas mais procuradas é ficar atento ao início da venda das passagens. Os bilhetes da Gol são vendidos com 330 dias de antecedência (quase um ano!). Para saber quando os voos serão abertos, pode-se ligar para a companhia ou consultar o site.

Outro jeito de contornar esse problema, no caso da Gol, é pagar o dobro de milhas para obter uma passagem na hora – desde que haja assentos vagos na aeronave. Foi o que fez Heraldo Ribas. “Era a única chance de embarcar toda a família – com milhas – no mesmo voo”, diz. O empresário queria, inicialmente, viajar para Orlando. Testou todas as datas disponíveis até o fim deste ano. Em nenhuma delas, porém, conseguiu seis lugares no mesmo voo. Resolveu mudar o roteiro e torrar o que tinha no cartão. Em vez de 30.000 milhas, gastou 60.000 milhas por pessoa e emitiu cinco bilhetes para Aruba. No fim, gastou 300.000 milhas.

Na TAM, a política de troca de pontos é mais democrática. A empresa não distingue quem paga pelo assento de quem troca pontos por bilhetes. Vale a regra da fila: quem chega primeiro leva os assentos. Parceiras da TAM, como United Airlines, TAP e Lufthansa, não agem da mesma forma. Reservam poucos assentos para a troca de pontos e, assim como a Gol, não informam quantos eles são. Você acredita se quiser.

Fonte: Época

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A lição dos portugueses

Publicado por Tulio em 6 fevereiro, 2010.

Estela Silva
Usuário fuma maconha numa rua do Porto. Deixar de prender não incentivou

Dez anos separam duas realidades de um mesmo país. Até 2000, Portugal era tomado pela pior epidemia de drogas de sua história – e uma das mais graves da Europa. Hoje, os portugueses orgulham-se de sua bem-sucedida política de descriminalização. Na década de 1990, o país chegou a ter 150 mil viciados em heroína (quase 1,5% da população). Em 2001, o governo português arriscou: descriminalizou a posse individual de todas as drogas, da maconha à heroína. De lá para cá, a polícia portuguesa não prende quem porta pequenas quantidades de droga. No lugar da punição, os usuários flagrados são encaminhados para tratamento. Quando essa decisão foi aprovada pelo Parlamento, temia-se uma explosão no consumo. Mas o que se vê agora é uma queda no uso de todas as drogas e em todas as faixas etárias .

Os números positivos da descriminalização só vieram a público no ano passado, com a publicação de um relatório do Cato Institute. Entre 2001 e 2006, as mortes por overdose caíram de 400 para 290. O registro de pessoas infectadas pelo HIV por compartilhar seringas contaminadas passou de 2 mil para 1.400. Mais importante: Portugal não virou destino para jovens europeus dispostos a se drogar sem que a polícia os incomodasse.

A teoria por trás da política liberal de descriminalização se baseou numa premissa humanista: “Você precisa fazer uma escolha entre tratar o usuário como criminoso ou como um paciente que precisa de ajuda”, diz Manuel Cardoso, diretor do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Para a lei portuguesa atual, quem é flagrado usando ou portando pequenas quantidades de droga não responde criminalmente. O limite é uma dose suficiente para dez dias de consumo. Se apanhado pela polícia, no entanto, esse usuário será encaminhado para uma “comissão de dissuasão”. No ano passado, cerca de 7.500 portugueses passaram pelas comissões. Um psicólogo, um advogado e um assistente social avaliam o perfil do usuário e recomendam tratamento ou multa. A penalidade para os traficantes em nada mudou. Quem negocia qualquer tipo de droga vai para a cadeia como um criminoso comum.

A medida pode parecer radical, mas seus efeitos mostram que ela teve êxito ao enfrentar a explosão da droga, iniciada nos anos 70, no embalo das mudanças de comportamento que sacudiram o país com a Revolução dos Cravos. Quando Portugal decidiu mudar sua lei antidrogas, em 2001, a Europa carregava na memória as imagens deprimentes de “zumbis” vagando pela Platzspitz, em Zurique, na Suíça. Lá, o que era para ser uma praça pública para os usuários se drogarem de maneira “segura”, com vigilância médica e seringas limpas, transformou-se num parque de diversões para drogados e traficantes. A Suíça reconheceu o fracasso da medida e fechou a praça em 1992.

A experiência de descriminalização em Portugal não repetiu o fracasso dos suíços. As primeiras estatísticas a chamar a atenção das autoridades portuguesas foram as do sistema de reabilitação dos usuários de drogas. De 1999 a 2008, o número de viciados que passaram por tratamento saltou de 6 mil para 24 mil. Para atender os novos usuários que procuraram a reabilitação, o uso de metadona, uma substância química usada no tratamento de toxicodependentes de heroína, quase triplicou entre 2001 e 2006. “Quando era tratado como criminoso, o usuário ficava no submundo”, diz Cardoso. “É esse o usuário que agora busca tratamento.”

O crescimento da procura pela reabilitação não mostrou nenhuma relação com o aumento do consumo – um dos maiores temores de quem criticara a lei no passado. As estatísticas do IDT mostram que o número de crianças e adolescentes que já experimentaram algum tipo de droga na vida diminuiu em todas as faixas etárias e em todos os tipos de droga. O uso de heroína, um indicador muito sensível para os portugueses que se lembram da epidemia da droga, continuou estável. Entre 2001 e 2007, a porcentagem de pessoas de todas as idades que admitem ter experimentado a droga pelo menos uma vez passou de 1% para 1,1%, uma diferença considerada insignificante pelos estudiosos.

A maconha, droga que já foi consumida por pelo menos 10% dos portugueses acima dos 15 anos, também parece ter saído de moda. Hoje, Portugal está entre os países com um dos menores índices de consumo da droga na Europa. O número impressiona quando comparado, por exemplo, ao consumo de maconha nos Estados Unidos, onde 39% da população acima de 12 anos já consumiu a droga. Proporcionalmente, há mais americanos cheirando cocaína que portugueses fumando “baseados”. Esse tipo de comparação virou argumento poderoso para os defensores da descriminalização. “Portugal é um exemplo que deveria ser cuidadosamente levado em conta por outros países”, escreveu o advogado americano Glenn Greenwald, diretor do Cato Institute e autor da pesquisa sobre a descriminalização.

Greenwald, considerado um dos advogados mais influentes dos EUA, ressalta outra vantagem: o tráfico de drogas parece ter diminuído. O número de traficantes acusados pela Justiça portuguesa diminuiu depois da lei. Em 2000, houve 2.211 acusações. Em 2008, foram 1.327. Se o rigor da polícia e da Justiça portuguesas se manteve inalterado na última década, isso poderia mostrar que a “guerra contra as drogas” defendida pelos Estados Unidos tem uma natureza falha.

Fonte Revista Época ( Andres Vera )

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Mudança de Hábito

Publicado por Tulio em 1 fevereiro, 2010.

 

xixi 1 Mudança de Hábito

O secretário de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, disse que vai intensificar a fiscalização nos blocos e bandas para evitar que os foliões façam xixi no meio da rua. Mesmo com a quadruplicação do número de banheiros químicos no circuito dos blocos – este ano são quatro mil unidades - ainda é possível flagrar gente urinando pelas calçadas.

Na passagem dos blocos neste domingo (31), pelo menos onze pessoas foram flagradas e levadas para a delegacia.

“Vamos ter agentes percorrendo os blocos. Quando identificarmos pessoas urinando nas ruas, essas pessoas serão levadas à delegacia por ato obsceno. É inadmissível que uma pessoa use a via pública ou a porta da casa de outras pessoas como banheiro público. Se a necessidade justificasse, quem tem fome poderia roubar. E esse não é o caso”, disse o secretário.

Segundo Bethlem, todos os bairros onde há desfile de blocos têm banheiros químicos. A Secretaria vai intensificar também a operação de trânsito. Este ano, a Riotur fez uma programação para impedir que vários blocos saiam simultaneamente, no mesmo horário. Algum transtorno sempre existirá, de acordo com o secretário, mas em menor proporção.

Fonte G1

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Trema Criativo

Publicado por Tulio em 30 janeiro, 2010.

redacao perfeita para sites e blogs Trema Criativo 

Esta é uma redação (fato verídico) feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco -Recife) e que obteve vitória em um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.
 
  “Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo  se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da  vida. E o artigo era bem definido, feminino singular: era ainda  novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.  Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário  dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem  ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de  lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar  alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador  recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára  justamente no andar do substantivo.Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.  Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma  fonética clássica, bem suave e gostosa.Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo  para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo quando ele começou outra vez a se insinuar.  Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto   adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os  vocábulos  diziam que iriam terminar num transitivo  direto.
 Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo  seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.  É claro que ela se deixou levar por essas palavras,  estava totalmente  oxítona às vontades dele, e foram para o comum de  dois gêneros.  Ela  totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias,  parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns  próclise, e ele, com todo o seu  predicativo do objeto, ia tomando conta.
 Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era  um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando  aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos  dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições,  locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônia, ou melhor,  subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu  particípio na história.

 Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora  por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e
mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nemcomparativo: era um superlativo absoluto.
 Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.
 Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, > propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
 Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido  depois dessa, pensando em seu infinitivo resolveu colocar um ponto  final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez  mais fiel à língua portuguesa,  com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.”

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WWW.Amoresmodernos.com

Publicado por Tulio em 20 dezembro, 2009.

 
 

chat WWW.Amoresmodernos.com

 

Como toda evolução, as revoluções amorosas acontecem e muitas vezes não admitimos. Demoro prá falar no assunto, talvez por não ter aceditado muito.Mas é realidade. A quantidade de ralações inicadas pela internet, aumentam a cada dia ( e muito à noite ) É uma progressão geométrica.

Mais prática, a pessoa aceita o outro porque já vem com uma meia bula. São explorados pelas diversas empresas mundiais de internet, todos os tipos de relações possíveis.Ao aceitar entrar no site, a ficha mais detalhada possível da pessoa, é preenchida e mostrada para os interessados naquele tipo. Como um jogo de  televisão, o interessado busca os seus interesses mais próximos possíveis.E asssim vão se encontrando as diversas fatias da sociedade.

Perde um pouco do glamour, do embaraço de aproximação antigo. Os beijos roubados, do cheiro, a dança pedida ou até : – eu não te conheço de algum lugar ? Mas aí que ocorrem as mudanças. Com a internet fica faltando o cheiro, oferecido pelo Téte à Tete, que é fundamental pro acasalamento. Na verdade, se tantas coisas já foram à favor os interessados já imaginam o perfume do outro.

A juventude entrou de cara nessa modernidade, as mensagens de texto, os chats e etc, fazem a união pela conexão.A formação de comunidades nos diversos sites, aproxima  as diversas tendências, são clubes digitais. Os mais velhos relutam, mas muitos vem uma forma de desencalhar, quando parecia tudo perdido. Ouço falar de diversos casamentos via net, até internacionais.

Não estamos ficando loucos, estamos cada vez mais rápidos e objetivos em nossas decisões. A margem de erro diminue e o preço quem paga é um romance cheiroso.

Tulio Vaques

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