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Ferrari anuncia recall da 458 Italia por causa de incêndios

Publicado por Tulio em 1 setembro, 2010.

ferrari 1 home Ferrari anuncia recall da 458 Italia por causa de incêndios

Ferrari 458 Italia foi apresentado em São Paulo em abril

A fabricante de veículos de luxo Ferrari anunciou, nesta quarta-feira (1º), o recall das unidades do novo modelo 458 Italia produzidas até julho. Segundo a companhia, os carros em todo o mundo passarão por uma vistoria após cinco casos de incêndio com o modelo.

De acordo com o anúncio da companhia, o problema estaria na cola adesiva usada para fixar o painel de isolamento de calor à estrutura do carro. De acordo com o comunicado da Ferrari, o adesivo pode pegar fogo sob altas temperaturas e causar incêndio no compartimento do motor.

Mais de 1,2 mil unidades do modelo já foram entregues em todo o mundo. Os proprietários que tiveram seus superesportivos queimados serão substituídos por outro novo e as demais unidades envolvidas serão verificadas no recall.

A solução encontrada pela fabricante foi criar um novo painel de isolamento preso com rebites e não com a cola adesiva.

O modelo foi apresentado no mercado brasileiro em abril deste ano, mas as vendas ainda não começaram, segundo a importadora oficial Via Italia. O modelo é oferecido no país por R$ 1,5 milhão. De acordo com a importadora oficial da marca italiana, a estimativa é de que até o final do ano sejam comercializadas 20 unidades da 458 Italia no mercado brasileiro.

Fonte G1

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Justiça dos EUA aprova fusão das aéreas United e Continental

Publicado por Tulio em 29 agosto, 2010.

united Justiça dos EUA aprova fusão das aéreas United e Continental

Aviões da Continental e da United Airlines no aeroporto de Houston, nos EUA

(Foto: AP)

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou nesta sexta-feira (27) que aprovou a fusão das companhias aéreas United e Continental, que criará a maior companhia aérea do mundo em passageiros transportados e poderá, segundo analistas, redesenhar o mercado americano da aviação. As empresas dizem que se trata de um negócio de US$ 3 bilhões.

As duas empresas, que anunciaram a fusão em maio, esperam concluir o acordo nas próximas semanas, com a aprovação do negócio pelos acionistas de ambas as companhias, em 17 de setembro.Segundo o Departamento de Justiça, a investigação sobre a fusão foi concluída depois que as empresas concordaram em abrir mão de slots (direitos de pouso e decolagem) no aeroporto de Newark, no estado de Nova Jersey.

A nova empresa seria quase 8% maior que a Delta Air Lines e administraria 21% das praças do mercado americano, contra os 20% que a Delta alcançou após a aquisição da Northwest Airlines em 2008. Com a união, a nova companhia passa a servir 370 destinos em todo o mundo.A companhia resultante deve usar o nome da United e ter sede em Chicago. Seu comando será do presidente-executivo da Continental, Jeff Smisek, enquanto seu colega da United, Glenn Tilton, presidiria a junta diretora.

Fonte G1

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Quem é Nem, o chefe do tráfico na Rocinha

Publicado por Tulio em 28 agosto, 2010.

04306079400 Quem é Nem, o chefe do tráfico na Rocinha

O traficante Nem (no alto) e uma cena da invasão do hotel no Rio. As imagens de medo correram o mundo

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, deixou de ser só mais um personagem da crônica policial carioca na manhã do sábado (21), quando o bairro de São Conrado despertou ao som dos tiros de fuzil disparados por bandidos vestidos de preto e ostentando colares de ouro no peito. Às 8h30 da manhã, cerca de 60 homens armados, entre eles Nem, enfrentaram a polícia. Na confusão, dez deles invadiram o Hotel Intercontinental e fizeram 35 reféns por três horas. As imagens do tiroteio, captadas por moradores dos prédios vizinhos, foram mostradas em vários países. Em poucas horas Nem passaria a ser visto como o inimigo número um da imagem de paz que o Rio vem lapidando nos últimos anos. Para uma cidade que tem celebrado o sucesso da política de pacificação das favelas, e que sediará as Olimpíadas, não foi uma boa propaganda.

A operação acabou com “apenas” uma morte: a de uma suposta tesoureira do tráfico, cujo corpo foi deixado no asfalto para a polícia recolher. Por alguns minutos, Nem chegou a ser enquadrado pela arma de um policial, mas fugiu por dentro de um condomínio em direção ao morro. Na véspera, ele havia saído com um grupo de amigos e amigas para uma festa no morro vizinho, o Vidigal. Poucas horas depois, Nem se tornaria o símbolo daquilo que pode haver de pior no Rio de Janeiro: a sensação de insegurança.

Há cinco anos Nem é o líder do tráfico na Rocinha, a maior favela brasileira, com mais de 120 mil habitantes. Incrustada num dos metros quadrados mais caros do Rio de Janeiro, com vista para o mar e montanhas, a Rocinha é um desafio para a estratégia do governo fluminense de reocupar os morros dominados pelo tráfico na cidade. Contra o sucesso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a Rocinha oferece duas armas. Uma é seu gigantismo. Seriam necessários quase 2 mil policiais para controlá-la. A segunda arma é o próprio Nem e o sucesso de sua “gestão” do crime no morro.

O inimigo número um do Rio entrou para o tráfico por acaso. No início da década, uma das filhas de Nem teve um grave problema de saúde e precisou de tratamento. Sem dinheiro, ele, que não era traficante, recorreu ao então dono das bocas de fumo, Lulu, e pediu R$ 50 mil. Mesmo assustado com a quantia, Lulu ficou sensibilizado com o drama da menina, que tinha 10 anos. Estendeu a mão a Nem, que prometeu quitar a dívida fazendo favores para o tráfico. “O Lulu morreu, o Bem-te-vi assumiu o tráfico e o Nem nunca conseguiu pagar o que devia”, diz a deputada federal Marina Magessi, que fez escutas com autorização judicial no telefone de Nem por dois anos, quando era detetive no Rio.

Nem gosta de ostentar e já alugou um helicóptero para uma de suas três mulheres conhecer a cidade do alto

Com a morte de Bem-te-vi, em 2005, Nem assumiu o tráfico e seguiu a mesma estratégia assistencialista de Lulu: ajudar os moradores para conseguir aliados. Desde então, se tornou o principal distribuidor de drogas da Zona Sul da cidade. Cadernos de sua contabilidade apreendidos pela polícia mostram que ele fatura R$ 680 mil mensais com a venda de drogas só na Rocinha. Ele também controla o comércio no Morro de São Carlos e na Cruzada São Sebastião, conjunto habitacional popular encravado no sofisticado bairro do Leblon. De acordo com o delegado e chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, a venda de cocaína na Rocinha e no São Carlos gerou R$ 96 milhões em dois anos. O faturamento é quatro vezes o de dez anos atrás.

Para continuar crescendo, Nem profissionalizou o tráfico. Confiou suas finanças a um estudante de graduação em matemática, Saulo de Sá Silva, de 32 anos, já preso. Ele ainda cooptou ex-policiais para treinar seus 17 seguranças e garantir informantes. Um deles, Carlos Henrique Pereira Januário, foi preso no ano passado por repassar informações ao traficante. E, para lavar o dinheiro do tráfico, Nem criou pelo menos quatro empresas em nome de laranjas.

Como fatura alto, Nem ostenta. Em 21 de dezembro de 2007, ele alugou um helicóptero para que uma de suas três mulheres desse uma volta sobre o Rio de Janeiro. Numa cena extravagante, o helicóptero pousou numa garagem de ônibus perto da favela, onde Danúbia de Souza Rangel, então com 25 anos, subiu a bordo exibindo um cordão de ouro com um pingente com a letra “N”. As fotos do passeio foram postadas na conta dela no Orkut. Para a polícia, o próprio Nem estaria também no helicóptero. Em março deste ano, policiais invadiram uma das casas do bandido na Rocinha. Encontraram uma TV de LCD de 42 polegadas e outros eletrônicos caros, como um videogame PlayStation 3, além de piscina, churrasqueiras, uma geladeira de porta dupla e aço inox avaliada em R$ 6 mil e até ternos da grife italiana Armani. Segundo moradores, Nem se orgulha de dizer que, na Rocinha, “até olheiro ganha R$ 150 por noite”. Uma de suas frases favoritas é “Não tem mendigo aqui”.

Segundo escutas feitas pela polícia, Nem já teria dito mais de uma vez que quer sair do tráfico. Nas gravações, ele afirmaria ser atormentado por sonhos de que está sendo esquartejado. Também reclama da falta de liberdade. “Eu vivo igual a um macaco, pulando de laje em laje”, disse a um comparsa em conversa gravada pela polícia. Apesar disso, sua rotina é conhecida no morro. Nem faz musculação todos os dias na academia instalada numa área da Rocinha conhecida como Portão 2. Chega e sai de lá acompanhado por 17 seguranças. Quando ensaiou sair do tráfico, Nem ousou, tentando simular a própria morte. Em janeiro, a polícia descobriu que ele comprara um atestado de óbito por R$ 150. O documento trazia seu nome, mas tinha a data de nascimento alterada em um dia, de 25 para 24 de maio de 1976. Como causa mortis, foram apontadas “insuficiência renal e diabetes”. Nem marcou até a data de seu enterro. Um detalhe, porém, chamou a atenção dos policiais. O endereço do atestado era a Rua Major Rubens Vaz, 170 – o mesmo da delegacia que o investiga. O senso de humor custou o fim do plano.

Vivo, ele continuou dominando a Rocinha. A favela fica em São Conrado, bairro de classe média alta. Tem passagem pela mata para o Morro do Vidigal, no Leblon, controlado pela mesma facção de Nem. Nos últimos dois anos, segundo a polícia, o traficante importou da Bolívia e da Colômbia 6.000 quilos de pasta de cocaína. Os componentes químicos usados no refino têm venda controlada no Brasil e cada cliente só pode comprar 2 litros por mês. Nem conseguiu que 216 moradores comprassem o material para ele. Todos foram indiciados por tráfico e formação de quadrilha. Nas últimas eleições, Nem deu uma nova demonstração de seu poder sobre a comunidade. Apoiou o vereador Claudinho da Academia e, num documento para os moradores, escreveu: “Não admito derrota”. Claudinho foi eleito com 11 mil votos, quase 10% da população da favela.

A Rocinha tem sido garota-propaganda do governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição, e de Dilma Rousseff, que gravou imagens ali para a campanha falando sobre o PAC. A obra tem um custo estimado em R$ 231 milhões. A entrada da favela ganhou uma passarela projetada por Oscar Niemeyer. Um complexo esportivo foi inaugurado e barracos foram pintados. Apesar dos esforços do governo, é Nem quem continua mandando ali. Ele tem o apoio de muitos moradores na favela. É popular entre jogadores de futebol. Vagner Love, ex-Flamengo, já teve de depor na polícia depois que apareceu numa foto entre supostos bandidos na Rocinha. Nem organiza um famoso campeonato de futebol na favela, a Copa Zidane, que tem esse nome não em homenagem ao craque francês, e sim a Dani da Rocinha, comparsa já morto, que também tinha o apelido de Zidane. Quando jogadores vão até lá participar das peladas, comer churrasco e sabe-se lá mais o quê, o chefão espalha cartazes proibindo tirar fotos.

Sua facção criminosa é pragmática. Não costuma trocar tiros com a polícia e não permite roubos nas imediações dos morros. Em pelo menos três ocasiões, Nem entregou ladrões das imediações à polícia, espancados. Recebe aliados de outros morros que queiram se converter a sua organização. O grande número de bandidos de outras favelas circulando na Rocinha deixa os moradores com medo. Não raro o tráfico obriga motoristas a abrir as malas nas vielas da favela. Estima-se que a quadrilha tenha cerca de 300 homens. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, acha que Nem é superestimado. “Ele não é tudo isso que dizem. De certa forma, é até um bandido tranquilo. A Rocinha não costuma ser problemática”, afirmou ele, em entrevista a ÉPOCA (leia trechos abaixo e íntegra da entrevista em epoca.com.br).

A história do pai pobre que recorreu ao tráfico para salvar a filha doente pode despertar em alguns certa compaixão. O sentimento, porém, não é demonstrado por Nem em relação a suas vítimas. Nem é acusado de mandar matar pelo menos dez pessoas em 2008 numa demonstração de força logo depois que seu braço direito foi preso. Em 2007, um morador chamado Célio ficou três meses se alimentando exclusivamente de líquidos porque teve a arcada dentária destroçada pelos bandidos.

Célio tentou intervir quando Nem, furioso, batia num rapaz que comia pizza com sua namorada. Ninguém comanda um morro durante anos somente na base da simpatia. O episódio de sábado mostra que, quando acuados, bandidos atiram em quem estiver pela frente. E, como o próprio secretário de Segurança afirma, até que o Rio novo seja possível, a cidade terá de conviver com o velho.

Fonte Época

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0grande pp1 Medo de intervenção na Amazônia é paranoia, dizem americanos

Reportagem do jornal ‘New York Times’ questiona a

posse brasileira da Amazônia e gera discussões

sobre possibilidade de intervenção internacional

(Foto: Reprodução/New York Times)

Quando visitou o Brasil em 2003, no início da invasão do Iraque, o advogado americano Mark London ficou chocado com faixas que viu penduradas pela capital do país. O pesquisador estudava a Amazônia brasileira havia décadas, era autor de um livro pioneiro sobre o assunto nos Estados Unidos, e se viu diante de frases que alegavam que, depois do Iraque, o alvo dos americanos seria o Brasil, por conta da floresta e das suas reservas de água, o que achou absurdo.

A experiência dele é comum entre quase todos os estudiosos norte-americanos que se debruçaram sobre a importância da região amazônica para o Brasil para o mundo. Mais de dez pesquisadores brasilianistas e de geopolítica que estudam a Amazônia sob a ótica americana e constatou que eles sempre dizem se ver diante do que consideram uma desconfiança excessiva e desnecessária, fruto do que acham ser “paranoia” dos brasileiros.

Na opinião de London, há uma desconexão entre o que os brasileiros acham que é a opinião americana sobre a Amazônia e a realidade dos que os EUA pensam sobre a região. “A paranoia é real. Isso é completamente sem sentido. Não há nenhuma sugestão de que vamos invadir, ocupar, intervir de nenhuma forma. Temos problemas suficientes intervindo em países inimigos, porque criaríamos um problema com nossos amigos? Não há razões para intervir na Amazônia tanto quanto não há de intervir em Paris, na França”, disse London.. Advogado, London é co-autor dos livros “Amazon”, publicado em 1985, e “A última floresta” (Ed. Martins), em que o tema foi atualizado em 2007.

Essa interpretação de que os brasileiros se preocupam demais é compartilhada por pesquisadores mais conservadores, como o diretor do Instituto Stratfor, George Friedman, e por acadêmicos de esquerda, como a professora Barbara Weinstein, da New York University. Segundo os pesquisadores, não existem planos norte-americanos para uma invasão da Amazônia. A ideia de uma intervenção direta no território brasileiro é tratada como irreal até mesmo pelo discurso oficial do governo dos Estados Unidos, ignorada pela grande mídia e vista como impossível, obra de ficção ou até paranoia de pessoas que acreditam em “teorias da conspiração”, segundo pesquisadores tanto da região quanto das relações entre os dois países envolvidos na questão.

“Isso é absurdo”, disse, rindo, a professora Weinstein, da NYU. “Eu mesma sou muito crítica em relação aos Estados Unidos, mas acho que essa preocupação não é nada real.” Weinstein é uma das pesquisadoras mais prolíficas da história do Brasil nos Estados Unidos. Ligada desde 2007 à NYU, ela já passou períodos em Yale e Princeton, e escreveu livros que tratam da questão ambiental da Amazônia, da história da exploração de borracha no norte do pais, da formação da classe trabalhadora no Brasil, e atualmente pesquisa as questões de regionalismo, com a predominância de São Paulo sobre o resto do país. Ela é autora, entre outras obras e artigos, de “(Re)formação da Classe Trabalhadora no Brasil, 1920-1964″ (Editora Cortez) e “A Borracha na Amazônia: Expansão e Decadência, 1850-1920″ (EDUSP).

“Eu mesma sou muito crítica em relação aos Estados Unidos, mas acho que essa preocupação não é nada real”

Barbara Weinstein, historiadora

Segundo ela, a região em que fica a maior floresta tropical do mundo é reconhecida como território brasileiro, e muitas vezes confundida com a totalidade do país, sendo uma das primeiras imagens evocadas ao se pensar na ideia de Brasil. Além disso, é o governo brasileiro que é cobrado pela forma como trata a Amazônia, seja por questões ambientais ou geopolíticas. O discurso mais comum nos Estados Unidos é de admiração pela vastidão da floresta, de mistério envolvendo sua imensidão, mas de distância, não de intervenção.

De acordo com Nikolas Kozloff, autor de um dos estudos mais recentes publicados nos Estados Unidos sobre a Amazônia, a ideia de que pode haver uma intervenção americana na Amazônia brasileira é o tipo de teoria conspiratória em que só brasileiros acreditam. “Falei com muitas pessoas de diferentes vertentes políticas, de direita e esquerda, e jamais ouvi ninguém defender este tipo de coisa, nem falar sobre o assunto”, disse ao G1. Ele pessoalmente está mais ligado à esquerda, e diz que não existe nenhum tipo de ameaça como esta temida pelos brasileiros.

Kozloff publicou em abril seu terceiro livro sobre a América Latina: “No Rain in the Amazon: how south america’s clime change affects the entire planet” (Sem chuva na amazônia: como a mudança climática na América do Sul afeta o planeta inteiro), lançado depois de escrever sobre a trajetória de Hugo Chávez e, em seguida, sobre a “onda rosa” de governos de esquerda na América Latina.

Não há possibilidade de uma intervenção americana no Brasil, mas a America Latina adora a fantasia da ação direta dos Estados Unidos, pois isso sempre serviu para explicar os fracassos do continente. Os Estados Unidos sempre foram os vilões.”

George Friedman, especialista em geopolítica

A interpretação de que questões relacionadas à Amazônia e ao ambiente podem motivar conflitos é exagerada segundo o especialista em geopolítica George Friedman, fundador e diretor da Stratfor, empresa privada de inteligência e previsão em geopolítica global e economia. Ele é autor de quatro livros sobre estes temas, e é reconhecido como especialista em segurança nacional norte-americana e inteligência de guerra. Apontado como conservador e mais ligado à direita, Friedman escreveu “Os próximos 100 anos”, livro publicado em 2009 e que se tornou um dos mais vendidos na lista do “New York Times”, em que usa uma análise detalhada da história do mundo para fazer uma previsão do futuro.

“Não há possibilidade de uma intervenção americana no Brasil, mas a America Latina adora a fantasia da ação direta dos Estados Unidos, pois isso sempre serviu para explicar os fracassos do continente. Os Estados Unidos sempre foram os vilões. Em muitos casos, o país nem foi tão influente, mas foi visto desta forma. A ideia de que o governo dos Estados Unidos está pensando em intervir no Brasil é irracional. Os brasileiros pensam nisso, não os americanos”, disse, em entrevista ao G1. A justificativa de Friedman é de que a Amazônia é uma responsabilidade do Brasil e não cabe aos Estados Unidos se envolverem nem mesmo na proteção ambiental da região.

Na mídia

Mesmo com a negativa veemente de pesquisadores em relação ao risco de intervenção internacional no território brasileiro, há outros fatores que geram preocupação no Brasil e que criam nos Estados Unidos uma impressão de que os brasileiros são paranóicos com a Amazônia. Para muitos americanos, além de não darem conta totalmente de controlar a região, querem evitar de qualquer forma que esta seja a impressão americana.

De quem é esta floresta tropical, afinal?”

‘The New York Times’

Um exemplo disso foi um texto de 2008 no “New York Times”, o jornal mais relevante dos Estados Unidos, que usava como gancho a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, uma semana antes, para discutir a preocupação brasileira com a posse da Amazônia. O título da reportagem, “Whose Rain Forest is this, Anyway?”, algo que pode ser traduzido livremente para “De quem é esta floresta tropical, afinal?” tem uma carga de “ameaça” muito mais forte de que o resto do texto. Por mais que tenha alguns juízos de valor e algumas informações vagas, a reportagem aparenta ser respeitosa e correta. O G1 entrou em contato com o correspondente, mas ele respondeu que não poderia dar a opinião dele por não ter autorização do “Times” para dar entrevistas a respeito da visão editorial que tem do Brasil.

O início da reportagem alega que o Brasil passou sua história “olhando nervosamente” para os mapas do território pouco habitado da Amazônia, e que por isso a colonização desse espaço foi uma prioridade dos anos 1960 e 70, como questão de segurança nacional. O texto passa então a comentar casos em que a propriedade da Amazônia supostamente haviam sido questionados publicamente, que “reacendem velhas atitudes de protecionismo territorial e vigilância contra invasores externos”, diz. Segundo ele, “muitos” tratam as estratégias do governo para a região como “paranoica”.

O governo brasileiro divulgou uma resposta oficial ao artigo do “New York Times” uma semana depois da sua publicação, e em discurso oficial do presidente Lula. “O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono, e o dono é o povo brasileiro. São seringueiros, pescadores e nós que somos brasileiros”, disse Lula na abertura do 20º Fórum Nacional, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro .

Preocupação saudável

Por mais que haja a visão norte-americana de que os brasileiros são paranoicos, nem todos os pesquisadores acham exagerada a preocupação do país com a proteção do seu território na Amazônia. Colin MacLachlan, especialista no Brasil formado na Universidade da Califórnia em Los Angeles, faz referência ao assunto. MacLachlan alega que a preocupação brasileira em ter respeito internacional não é exagerada por conta da gigantesca proporção do território e do enorme trabalho para garantir a soberania sobre ele. A afirmação faz parte do livro “A History of Modern Brazil: The Past Against the Future” (Uma história do Brasil moderno: O passado contra o futuro), lançado em 2003. O combate ao tráfico de drogas na Colômbia, diz o livro, com ajuda norte-americana, coloca em risco o território brasileiro, para onde poderiam fugir os produtores que ficam na fronteira norte do país. Isso levaria a guerrilha para o território brasileiro e deixaria ainda mais clara a noção de fraqueza no controle da região.

“A fronteira por terra do Brasil tem 16.503 km e passa por todos os países sul-americanos exceto Chile e Equador. A fronteira amazônica (11 mil km) parece a mais vulnerável. Pouco populosa e fracamente ligada ao sul, a região historicamente se definiu de forma diferente do resto do Brasil pela comunidade internacional. Seu impacto exótico nos primeiros exploradores europeus nunca desapareceu”, diz. Segundo ele, mudanças nas definições do que constitui motivo para guerra ou intervenção na era pós Guerra Fria tornou difícil medir a reação internacional. Ações e situação que anteriormente poderiam ser consideradas questões internas agora têm potencial de se transformar em problemas transnacionais.

Nas circunstâncias atuais, concordo que é impossível uma intervenção na Amazônia. Mas não podemos prever o futuro e não sabemos como o mundo vai reagir em caso de um problema mais serio na região no futuro.”

Daniel Zirker, cientista político

Um pesquisador americano que defende o direito brasileiro de se preparar para evitar qualquer tipo de problema em relação à soberania da Amazônia é Daniel Zirker, diretor da faculdade de Artes e Ciências Sociais e professor de Ciência Política da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia, Daniel Zirker serviu no Corpo de Paz dos Estados Unidos no Nordeste do Brasil no início dos anos 1970. Ele concedeu entrevista por telefone, desde a Nova Zelândia. Segundo ele, não é possível prever uma ação dos EUA no Brasil, não há motivos para isso, mas os brasileiros, especialmente entre os militares, têm razões para se sentirem ameaçados.

Após atuar como diretor de estudos ambientais da universidade Estadual de Montana, entre 2002 e 2003, e como presidente do comitê de pesquisas sobre as forças armadas da Associação de Ciência Política Internacional, Zirker se consolidou como um dos mais importantes pesquisadores das relações político militares entre Brasil e Estados Unidos, levando em consideração especialmente a questão da soberania brasileira da Amazônia e os riscos de uma intervenção internacional na floresta. “Nas circunstâncias atuais, concordo que é impossível uma intervenção na Amazônia. Mas não podemos prever o futuro e não sabemos como o mundo vai reagir em caso de um problema mais serio na região no futuro. Hoje não vejo nenhuma razão para os EUA invadirem uma área da Amazônia. Ao mesmo tempo, muitos europeus e americanos declararam sua preocupação que a Amazônia seja cuidada”.

Fonte G1

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Ringo Starr recusa perdão a Beatles e acusa Vaticano

Publicado por Tulio em 14 abril, 2010.

Foto: Reprodução / site CNN

O Vaticano pode até ter perdoado – e mesmo elogiado – os Beatles, mas quem disse que eles querem ser perdoados? Pelo menos Ringo Starr, o baterista da mais famosa banda de todos os tempos, acha que não deve nada à Igreja Católica.

“O Vaticano não disse que nós éramos satânicos ou possivelmente satânico – e ainda assim nos perdoou? Eu acho que o Vaticano tem mais a dizer sobre que os Beatles”, disse o músico na terça-feira (13) para a CNN, durante uma entrevista para promover o seu novo disco, “Y Not”, o 15º de sua carreira solo.

Perdão

O polêmico “perdão” da Igreja foi dado em lembrança dos 40 anos do fim do quarteto de Liverpool. O jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, fez um tributo aos Fab Four na sua edição deste fim de semana, publicando dois artigos e um cartum na primeira página reproduzindo a faixa de pedestres imortalizada pelo grupo na capa do disco “Abbey Road”.

“É verdade, eles usaram drogas; levados pelo sucesso, tiveram vidas dissolutas”, diz um artigo do jornal. “Até mesmo chegaram a dizer que eram maiores que Jesus”, recorda o texto, lembrando da declaração de John Lennon em 1966 de que enfureceu os católicos de todo o mundo.

“Mas, ao ouvir as suas músicas, tudo isso parece distante e sem sentido”, completa o jornal. “Suas belas melodias, que mudaram a música pop para sempre e seguem nos despertando diferentes emoções, seguem intactas, como pequenas pedras preciosas”.

O jornal ainda lembra que, segundo alguns comentaristas, os Beatles divulgavam mensagens misteriosas, tidas por alguns até como “satânicas”.

Momento conturbado para o Vaticano

A Igreja Católica também está enfrentando diversas denúncias de casos de pedofilia envolvendo membros do clérigo. Para demonstrar a boa-vontade em tratar do problema, o porta-voz do Vaticano já afirmou que o Papa pode receber as vítimas de abusos sexuais. E como forma de apaziguar os ânimos, o diretor do próprio Osservatore Romano indicou que a Igreja Católica administra esta questão “de maneira exemplar”.

Mas não foi o suficiente para acalmar dois cientistas britânicos, que também são escritores. Richard Dawkins e Christopher Hitchens deram início a uma campanha pedindo a detenção do papa Bento XVI pelos escândalos de pedofilia na Igreja Católica, quando o pontífice visitar o Reino Unido em setembro.

O porta-voz da Igreja ridicularizou a proposta dos ingleses:”É uma ideia no mínimo bizarra. Parece que a intenção é chamar a atenção da opinião pública. Acho que eles deveriam procurar algo mais sério e concreto antes de respondermos.”

“A visita do papa (à Grã-Bretanha) é um visita de Estado. Seria muito estranho se, durante uma visita de Estado, a pessoa convidada a fazer a visita de Estado fosse detida”, disse ele.

Fonte G1

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“Alças da Mente”

Publicado por Tulio em 13 abril, 2010.

cid DA404CF2E15B49FA81C2B743D802A164@filhos4 300x225 Alças da Mente

O pensamento pode voar, mas a mente gosta mesmo é de uma prisão. A mente gosta de prender-se voluntariamente a tudo o que não muda, ao que permanece, ao que se repete e ao que é sempre igual. Por isso, a mente adora lembranças e memórias. Porque o passado já passou e não pode ser mais mudado. O passado é permanente. A mente acha isso o máximo! É como administrar uma empresa onde nada pode dar errado. O medo da mente é justamente este, administrar imprevistos.

 Outra coisa que a mente ama de paixão é o padrão, porque como o nome já diz, o padrão não muda. Um metro, uma hora, o mesmo caminho para o trabalho, voltar ao mesmo restaurante e sentar à mesma mesa, são padrões que toda mente humana gosta de repetir. Ah, que prazer que a mente sente quando a bunda senta na mesma cadeira que sentou na aula anterior! A repetição dá segurança, porque cria a falsa ilusão de que nada vai mudar. E se nada mudar, nada de ruim poderá acontecer. Tudo será igual, com o mesmo final feliz, como antes.

Crianças adoram ver filmes mil vezes porque se sentem seguras, porque podem antecipar as próximas cenas (se na vida fosse assim…) e porque têm certeza de como a história terminará. Já as mentes adultas, especialmente as obsessivas em qualquer grau, adoram a matemática. A matemática é a única ciência exata e imutável. Enquanto a física e química, a biologia, por exemplo, estão sujeitas a variáveis da vida real, a matemática continua igual. Daí o fato de que toda mente obsessiva gosta de contar, manipular números. As contas são sempre exatas, não mudam. E se você contar todos os passos e chegar direitinho à padaria com seus mil passos, então, podemos concluir que sua mãe não vai morrer e nada vai dar errado no seu dia. Certo? Errado.

 Errado porque a mente vive num mundo irreal. Mundo da mente é como caspa, só existe na sua cabeça. Tudo é mera ilusão. E, com perdão do excesso de realidade fisiológica, o mundo está cagando e andando pras suas ilusões mentais. Como o mundo já provou, uma batida de asas de borboleta na África pode influenciar mais a ocorrência de um tsunami na Ásia do que sua contagem de azulejos no banheiro. Porque a borboleta é real e seu pensamento, não.

 O problema é que a mente não quer nem saber disso e provavelmente muitos já terão abandonado este texto nas primeiras linhas. Espertos, porque sabem que vou contar um segredo sobre eles: a mente fabrica alças. Sim, alças, onde ela, a mente, possa se apegar. Uma alça, como aquele putaqueopariu do carro, onde a gente segura a vida quando o motorista não é de confiança. Como o Santo Antonio dos jipes. A alça pode ser um nome, um amuleto, uma mania, uma repetição qualquer. A mente é chata, mas criativa, e assim, inventou a alça-sem-mala. Nesta alça ela se apega até a morte.

 É uma crença, um dogma, uma frase feita, um chavão, um lugar-comum: “Angélica ficou mais bonita depois que teve filho”; “Vaso ruim não quebra”; “Jesus voltará”… Qualquer alça é boa pra mente: “A cadeia é a universidade do crime”, “Direituzumanu só tem bandidu”… Se a mente se acha fraca, ela inventa uma alça para se sentir forte, tipo: “Sou feia, mas tô na moda”.

 A mente inventa que se a pessoa perder dez quilos vai ser feliz e tudo vai dar certo na vida. Troca nomenclaturas, pra se sentir por cima. Porque uma coisa é dizer que você tem TOC e outra coisa é assumir que você é um obsessivo chato, que ninguém agüenta conviver a seu lado e por isso você precisa de tratamento sério com remédio e tudo mais. A mente inventa alças pra não cair em si. Mas cair em si é a única forma de tomar consciência – primeiro passo para melhorar.

 Portanto, remova todas as alças! Caia! Caia em si! Tá gordo? Então vamos emagrecer! Tá infeliz? Saia dessa, viva a vida, aproveite, Tá duro? ‘Bora ganhar dinheiro! Não fique aí com essa cara de passageiro do circular da eternidade vendo a vida passar na fresta da janelinha de um puta onibus cheio, segurando firme na alça do medo, pois você tem que dar o sinal e descer para a liberdade do impresivísel.

Por Rosana  Hermann

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Deputados discutem proibir exibição de vale-tudo na TV

Publicado por Tulio em 12 abril, 2010.

Jon Kopaloff

José Mentor (PT-SP), autor da proposta, afirma que as lutas são muito violentas; o lutador Mauricio ‘Shogun’ diz que o atleta depende da mídia
Andre Sollitto, com reportagem de Danilo CasalettiOs atletas de vale-tudo vão enfrentar uma briga fora dos limites da arena. O deputado José Mentor (PT-SP) propôs um projeto de lei para proibir a exibição dos combates na televisão brasileira.

Mentor quer restringir a transmissão de artes marciais não-olímpicas e não aprovadas pela Secretaria Especial de Direitos Humanos em canais abertos e fechados. O vale-tudo (também conhecido como MMA, da sigla em inglês Mixed Martial Arts) é o alvo prioritário da cruzada de Mentor. “São golpes violentíssimos, é uma coisa muito forte”, afirma a ÉPOCA.

O relator da lei, deputado Fábio Faria, já se mostrou contrário à proposta. Ele sugeriu uma discussão sobre o projeto, marcada para quarta-feira (14), na Comissão de Turismo e Desporto na Câmara Federal. Foram convidados lutadores, representantes das duas emissoras de TV que transmitem os combates (RedeTV e SportTV) e membros da Confederação de Lutas Vale Tudo. O objetivo é dar voz também aos atletas. “Trata-se de um esporte que cresce rapidamente em todo o mundo e não vejo necessidade de que seja banido da televisão”, disse Faria. O próprio autor da proposta se mostrou disposto a conversar: “Trazendo argumentos, trazendo o debate, posso mudar de opinião”.

Mauricio “Shogun” Rua, campeão mundial de MMA e atual lutador do UFC, é contra a proposta de lei. “O maior prejudicado é o atleta que, querendo ou não, depende da mídia.” Rua afirma que os atletas possuem uma filosofia e são avessos à violência fora do ringue. Em dezembro de 2009, o lutador expulsou um aluno de sua academia, a Universidade da Luta, em Curitiba, depois que o estudante se envolveu em uma briga de torcida. “Quem luta profissionalmente não briga”, diz Rua.

O vale-tudo é um esporte desenvolvido no Brasil pelos Gracie, lendária família brasileira de lutadores. Na década de 1930, Carlos Gracie convidou praticantes de diversos estilos para uma competição, que ficou conhecida como “desafio de Gracie”. Com o passar do tempo, o esporte se tornou mais popular. Na década de 1980, uma competição semelhante à de Gracie foi organizado no Japão. Hoje, o esporte é disputado em vários torneios mundiais. Os dois mais famosos são o Ultimate Fighting Championship (UFC, fundado em 1993 por Rorion Gracie e outro sócios e sediado nos EUA) e o PRIDE Fighting Championship (fundado em 1997 e sediado no Japão).

No Brasil, o esporte é transmitido por apenas dois canais. A pouca exposição não ajuda a acabar com a fama de violentos que os atletas têm. Para Rua, a proibição pode manter esse preconceito vivo. “Se a pessoa conhecesse qualquer arte marcial, ela ia passar a entender e a ver com outros olhos.”

Fonte: Época

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Falta combinar com o consumidor

Publicado por Tulio em 12 abril, 2010.

Marisa Cauduro

Marcela diz que prefere produtos com certificados ecológicos. Mas se queixa da falta de informação

Fazia todo o sentido. Quando a Unilever lançou a versão concentrada de seu principal amaciante, em maio de 2008, parecia ter escutado a demanda dos consumidores, que diziam querer comprar produtos mais ecológicos. Com meio litro, o novo produto rende tanto quanto 2 litros da versão convencional. Como a embalagem é menor, economiza 58% de plástico e, consequentemente, usa menos petróleo. Seu processo de produção consome 79% a menos de água. As caixas que o transportam acomodam mais unidades num mesmo espaço, reduzindo em 67% as viagens de caminhões para chegar aos pontos de venda. Mais: o amaciante concentrado é 20% mais barato. Com um belo esforço de comunicação – uma campanha de R$ 32 milhões em dois anos –, era de esperar que a essa altura o novo amaciante já tivesse desbancado o velho. Não foi o que aconteceu. A Unilever não divulga dados sobre vendas, mas um levantamento feito na rede de varejo Walmart mostra que o amaciante tradicional ainda vende 50% a mais que o concentrado. O amaciante da Unilever é apenas um dos casos de produtos criados para explorar o consumo ambientalmente correto. Há empresas que investiram em mudar sabão em pó, chá orgânico, papel higiênico. Sem contar as mudanças de embalagem. Em todos os casos, porém, o resultado tem sido dúbio. Por quê?

Há pouca dúvida de que o mundo enfrenta problemas ambientais sérios. Muitas empresas têm investido em ações responsáveis, seja como forma de economia (usando os recursos de modo mais eficiente), seja pelo apelo de marketing (projetando a imagem de empresa amiga da Terra). Mas a resposta a essas ações é fraca. “A sustentabilidade ainda é algo distante do que vivemos”, afirma Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu para o Consumo Consciente. Uma pesquisa do Akatu revela que 80% das pessoas dizem valorizar os produtos verdes. Mas só 30% delas concretizam suas intenções no ato da compra. Há uma longa distância entre propósito e ação.

Por um lado, alguns desses produtos ecologicamente melhores exigem mudanças de hábitos de consumo – e isso é um obstáculo. Em outros casos, como o do sabão em pó ecológico da Procter & Gamble, as pessoas resistem porque acham que suas empregadas domésticas não saberão usar o produto da forma correta. O detergente usa 30% menos água que um comum. Sua fórmula faz menos espuma e, assim, dispensa o último enxágue. Mas ele não fez o sucesso esperado. “As empregadas não leem rótulos”, diz a aposentada Cláudia de Vasconcellos Lameiro da Costa. “Não adianta explicar. Elas vão continuar achando que só com espuma se lava direito.”

Um amaciante mais ecológico custa 20% menos. Mas ainda perde em vendas para o convencional
Em alguns casos, as empresas deixam de apostar em inovações que fariam sentido ecológico. Há dois anos a Natura estuda a criação de uma linha completa (com xampu, condicionador, creme hidratante…) em pó. A solução economizaria água na produção, plástico da embalagem e emissões de gases poluentes no transporte. Os produtos viriam em pequenos sachês para ser diluídos em casa. “O novo produto teria, em média, 10% do peso do original”, diz Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da Natura. Mas o destino do xampu em pó é incerto. A companhia ainda não está segura de que haja público para a invenção. “Precisamos chegar a um mix completo: fórmula testada, marca correta, embalagem e o aval do consumidor.”

Esse aval, de acordo com um levantamento feito no Walmart  , é tímido. “Ainda estamos no começo de um processo de mudança de hábitos na decisão de compra”, diz Christiane Urioste, diretora de sustentabilidade do Walmart. Um papel higiênico da Kimberly Clark dá uma dimensão do problema. Feito com fibras de papel reciclado obtidas a partir de aparas selecionadas, tem os rolos compactados para caber em uma embalagem menor. Custa em torno de 25% menos que o papel tradicional. Mesmo assim, tem só um quarto das vendas.

Para vencer o apego ao costume, seria necessário um investimento eficiente em marketing. Um estudo feito pela agência de publicidade Euro RSCG mostra que as empresas abusam dos clichês. O levantamento encontrou ursos-polares em anúncios do HSBC, da Philips e dos sorvetes Ben & Jerry. “As imagens usadas confundem as pessoas”, diz Russ Lidstone, presidente da agência. “São projetadas para chamar nossa atenção, mas acabam nos distanciando do problema e nos tornando céticos.”

Fonte : Época

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A pressa é inimiga da refeição

Publicado por Tulio em 3 abril, 2010.

Arquivo

O fundador do movimento Slow Food foi considerado uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta pelo jornal The Guardian

Calma. É isso o que vem pedir Carlo Petrini. Calma para respirar, para fazer escolhas conscientes e para conhecer o lugar e as tradições do lugar onde você mora. O fundador da Slow Food Foundation, com sede na cidade italiana de Bra e presente em 132 países, não quer apenas que as pessoas comam devagar. Ele quer mandar uma mensagem contra o consumo massificado e a agricultura industrializada. Ele defende a comida da vovó, a horta do vizinho, o cultivo e a produção de produtos genuínos e a valorização desses produtos nos mercados regionais. Petrini não se vira contra o novo, mas contra o que é artificial. “Ferran Adrià é um gênio, um Picasso”, ele diz. Mas nem todo mundo pode ser um Picasso.

Ele é contra plantações de espécies híbridas resistentes a pragas, que quase extinguiram o pimentão quadrado d’Asti da região do baixo Piemonte (leia mais sobre alimentos que correm risco de extinção). Carnuda, perfumada e saborosa, essa variedade de pimentão foi trocada por pimentões holandeses sem gosto, mais rentáveis e baratos, como você pode ver na animação no fim da reportagem. É contra isso que ele luta.

Em sua visão, a alimentação contemporânea agroindustrial é a grande responsável pela destruição do planeta. Somos em sete bilhões, produzimos comida para 12 bilhões e ainda um bilhão passa fome. “Mais da metade do que produzimos é jogado no lixo. No sistema consumista, só conta o preço, e não o cuidado, a produção e o modo de conceber os alimentos”, afirma. Você acha tudo isso uma bobagem? Petrini foi indicado pelo jornal inglês The Guardian, em 2008, como uma das 50 pessoas que poderiam salvar o mundo.

Petrini defende que a gastronomia é uma ciência complexa. Nas escola e faculdades onde ela é ensinada, os alunos deveriam aprender física, agricultura, antropologia, história, economia e química. Dessa maneira, sairiam de lá gastrônomos competentes e comprometidos com uma comida “boa, limpa e justa” – os três pilares da Slow Food. Construir uma horta nas escolas e universidades é o primeiro passo (clique e saiba como). “Tirem 10 vagas do estacionamento, quebrem o asfalto, coloquem terra e um pouco de estrume, plantem tomates, feijões, verduras. Se alguém reclamar que não tem vaga, ganha um tomate!”, diz Petrini, bem humorado. Para ele, o Slow Food tem que ser divertido.
Carlo Petrini veio ao Brasil na semana passada para participar do Terra Madre, evento da Slow Food Foundation, e lançar seu livro Slow Food – princípios da nova gastronomia, publicado em 2005, mas só traduzido para o português agora. Confira a entrevista abaixo. 
 
O livro, publicado em 2005, já foi traduzido para o inglês, francês, espanhol, alemão e polonês. Agora, também está disponível em português

 ÉPOCA – As bases do Slow Food são: o bom, o justo e o limpo. O que elas significam?
Carlo Petrini – A comida tem que ser boa, gostosa, e o gosto deve ser respeitado de acordo com a região. No Piemonte (região italiana), temos um queijo que tem um cheiro que lembra chulé. Se o brasileiro cheirar, vai achar ruim, mas esse queijo lembra a minha infância. Temos que respeitar a diversidade. No geral, nossas bases gustativas são determinadas pelas nosas avós. A comida também deve ser justa, ou seja, tem que pagar quem trabalha para produzi-la, o camponês ou o cozinheiro, para que eles vivam com dignidade. E ser limpa: sua produção não deve destruir o ecossistema, não pode usar produtos químicos ou acabar com a fertilidade do solo.

ÉPOCA – Seguindo estes preceitos, até quanto mais caro você acha justo pagar? Se possível, em porcentagem.
Petrini – Não se pode falar em porcentagem. Preço justo é o que dá dignidade ao camponês para ele trabalhar de maneira pura, que garanta a ele uma vida digna. Depende da situação, mas não acho que tenha que ser mais caro do que já se paga hoje.

 ÉPOCA – Como escolher o que comer?
Petrini – Não se deixe tentar por uma lógica consumista, especialmente quando se faz escolhas alimentares. Comer é um ato agrícola e pode impactar a economia local. Temos que ser consumidores responsáveis. Buscar apenas o sabor de um alimento não funciona. Há muitos chefs que usam produtos que destróem solos ou pagam mal os agricultores. E o principal responsável pela destruição do planeta é esse sistema alimentar. Na minha província, tem um milhão de pessoas e sete milhões de porcos porque precisamos comer presunto e embutidos (risos). Esses porcos poluem o lençol freático com seus excrementos e usamos essa mesma água para regar as plantações. Tivemos a pretensão de colocar os critérios da produção industrial na agricultura, mas ela não é independente do meio como é a indústria têxtil ou sirúrgica. A agricultura tem mais de 10 mil anos e não pode ser reduzida à mercantilização. Quando tudo se torna mercadoria não conseguimos mais distinguir o valor do preço.

ÉPOCA – É possível conciliar os princípios da Slow Food com a vida nas grandes cidades?
Petrini – É preciso unir os consumidores aos produtores. Para produzir um alimento orgânico, é preciso receber um certificado, que é caro. Mas se você mora perto de mim, eu não preciso de certificado para comprar seus produtos, porque eu posso ver como você os cultiva. Nós precisamos construir essa rede de produtores e consumidores, ou co-produtores, que conheçam o que estão comprando. Pode-se sempre organizar grupos que comprem diretamente do produtor: a gente economiza e o camponês ganha mais. A construção de mercados camponeses também deve ser incentivada. Em 1995, no coração de Nova York, construíram o primeiro mercado camponês. Hoje, há 12 mil feiras de camponeses nos Estados Unidos. É uma alternativa econômica que reforça e economia local.

Carol Amorim

O Terra Madre Brasil reuniu chefs, pesquisadores, agricultores, acadêmicos, estudantes e produtores para debater alimentação e sustentabilidade

ÉPOCA – No mundo, temos um bilhão de pessoas passando fome e 1,7 bilhão de pessoas que sofrem de doenças relacionadas à obesidade. A Slow Food pode consertar isso?
Petrini – Nos Estados Unidos, eu fiquei impressionado com a quantidade de obesos. Vivemos em uma sociedade em que se gasta mais para emagrecer dos que para comer (risos). É preciso evitar o desperdício, comer com moderação e construir um sistema alimentar melhor, mais limpo e mais justo.

ÉPOCA – Há muitos restaurantes em São Paulo comprometidos com preceitos da Slow Food, como valorizar ingredientes e culturas regionais e resgatar tradições. Só que muitos deles usam matérias-primas que só existem na Amazônia ou no Centro-Oeste, tendo que atravessar o país para chegar até São Paulo. Como resolver esse problema de distribuição?
Petrini – Com bom senso. O país é grande, não faz sentido transportar alguns produtos; mas é importante que se coma alimentos frescos. Comer um produto da Amazônia é melhor do que importar dos Estados Unidos.

 ÉPOCA – Mas alguns peixes, por exemplo, vêm congelados da Amazônia.
Petrini – Pode ser contraditório. Mas os camarões congelados vendidos nos supermercados brasileiros são da Índia e do Equador. É preciso dar essa informação ao consumidor. O peixe da Amazônia eu como, o camarão congelado, não (risos).

 ÉPOCA – O senhor defende que os estudantes de gastronomia voltem ao campo, conversem com os agricultores e até mesmo se tornem camponeses. O que você diria a algum jovem que deseja seguir seu conselho?
Petrini – Você é meu herói. A volta à terra é uma escolha difícil, moderna e corajosa. Não será fácil o seu futuro. A maior dificuldade será ter reconhecimento do seu trabalho. O camponês sempre foi o último da estrutura social, mas os tempos mudaram e devemos construir um novo humanismo. Quando vocês voltarem para trás (para o campo), já estarão lá na frente porque aquilo que vocês fazem interessa a todos. Vocês são mais importantes do que as multinacionais que não se importam com nossa saúde e só querem fazer negócio, transformando nossa comida em simples mercadoria. Não é verdade que comida industrial custa menos: eu pago a mais o preço da saúde, os custos de transporte e a perda da biodiversidade. Vocês darão mais prazer e mais sabor às pessoas. A gastronomia não é patromônio dos grandes chefs. As mulheres que você tem na família valem muito mais do que muitos restaurantes 3 estrelas (do Guia Michellin, o mais respeitado do gênero). Essas mulheres que não aparecem na TV, elas são nossos heróis.

Fonte Época

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Empresas brasileiras já importam funcionários

Publicado por Tulio em 3 abril, 2010.

 

su1 Empresas brasileiras já importam funcionários

O apagão de mão de obra qualificada no Brasil fez as grandes empresas nacionais se mexerem para tentar preencher vagas e evitar, num futuro próximo, um blecaute generalizado. A maior aposta é na formação, por conta própria, de profissionais especializados, por meio de universidades corporativas ou em parceria com instituições de ensino.
Quem não tem tempo para criar esse funcionário está à caça de mão de obra pronta no mercado brasileiro e lá fora ? numa movimentação considerada inédita, e que guarda apenas semelhanças com o que se viu na época da abertura econômica. Um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) estima que quatro setores, entre eles o de construção civil, terão dificuldades para preencher 320 mil vagas destinadas a profissionais com qualificação e experiência em 2010.
Pós-graduação na Vale. Na Vale, a procura principalmente por engenheiros fez a companhia retomar e intensificar programas de recrutamento, que estavam suspensos havia dois anos. “Em alguns casos, temos vagas, precisamos deles, mas não encontramos os profissionais”, disse a gerente de Atração para Seleção de Pessoas da mineradora, Hanna Meirelles.

 Na semana passada, a Vale anunciou um processo seletivo para contratação de 51 engenheiros. Eles serão treinados para gerir novos projetos. É a primeira vez que a empresa oferece um curso de pós-graduação desse tipo para novos funcionários ? o que explica a novidade é a cifra de US$ 13 bilhões reservada a novos projetos nos próximos cinco anos.

 No ano passado, a Vale já havia desenvolvido um programa de especialização nas áreas de mineração, ferrovia e portos. Não existem cursos de ensino superior para essas duas últimas áreas no Brasil. Por isso, a Vale formou gratuitamente os 120 engenheiros, sem o compromisso de contratá-los, mas acabou absorvendo 100% deles.

 Rafael Ribas, de 25 anos, está nesse grupo. Deixou o mundo das telecomunicações, para o qual havia se preparado durante cinco anos, e começou a trabalhar numa ferrovia em São Luís do Maranhão, depois que passou pelo curso da Vale. “Coloquei na cabeça que seria um engenheiro ferroviário para trabalhar numa área que, sem dúvida, vai crescer muito nos últimos anos.”

 AmBev treina 32 mil pessoas. A preocupação da AmBev em driblar o apagão de mão de obra também se reflete na formação interna. No ano passado, a cervejaria investiu R$ 16,3 milhões em sua universidade corporativa, que resultou no treinamento de 32 mil pessoas ? o número supera a própria quantidade de funcionários da AmBev, hoje em 24 mil.

 “É uma maneira de acelerar o desenvolvimento desse profissional na empresa e suprir mais rapidamente possíveis lacunas em cargos de gerência”, afirmou Thiago Porto, diretor de gestão de pessoas da cervejaria. Segundo ele, a universidade terá mais R$ 20 milhões esse ano.

 Em 2009, a busca por novos talentos na AmBev fez a companhia selecionar um número recorde de 60 trainees e ir à caça de estudantes brasileiros nas melhores universidades dos EUA. Na da Pensilvânia, conseguiu reunir cerca de 50 alunos para apresentar a empresa. O convite para a palestra chegou por e-mail: “Atenção estudantes brasileiros, AmBev está na Universidade à procura de estagiário”.

 O carioca Marcelo Mansur, que cursa engenharia química na universidade, não fazia planos de voltar ao Brasil, mas foi seduzido. “Quando você vai procurar trabalho aqui parece que o empregador está te fazendo um favor. A AmBev, ao contrário, estava nos convidando.”

 De encontros como esse, a empresa selecionou sete alunos para um estágio de verão, entre eles Mansur. Todos acabaram contratados depois da temporada de três meses no Brasil e assumem seus postos até o fim do ano, assim que concluírem a graduação.

 Expatriados da Accenture. Com 7 mil funcionários no Brasil e 574 vagas abertas no mercado, a Accenture, consultoria multinacional em serviços de tecnologia e gestão, já estuda a possibilidade de trazer profissionais de sua unidade espanhola para atuarem no País.

 O principal executivo da área de gestão de talentos da companhia, Rodolfo Eschenbach Júnior, começou a separar nos últimos três meses currículos de brasileiros que estão fora do Brasil, dispostos a voltar. “Fomos pegos de surpresa. Não chegamos a sofrer tanto com a crise, mas também ninguém esperava essa aceleração”, disse.

 A necessidade de profissionais prontos fez o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, buscar soldadores no Japão. Desde dezembro, a empresa tenta contratar 200 dekasseguis para poder atender a tempo as encomendas da Transpetro e da Petrobrás.

 A falta de mão de obra qualificada abalou até a sólida política de formação de profissionais da construtora Odebrecht, que tradicionalmente alimenta os cargos de gerência com colaboradores que começaram na empresa ainda como estagiários. “A estratégia única de formar em casa já não atendeu a demanda, tivemos de contratar recursos mais maduros e agilizar a aculturação”, afirmou Antônio Rezende, responsável por Pessoas e Desenvolvimento, funcionário da construtora há três décadas.

 Entre 2007 e 2009, 1.097 profissionais foram trazidos da concorrência. Para “aculturá-los”, a companhia desenvolveu um curso específico com duração de seis meses, que prevê sessões individuais com programas interativos de leitura e compreensão de textos.

 Para ampliar o quadro de futuros executivos, a Odebrecht fará mudanças no programa de estágio deste ano. A empresa quer contratar estudantes no período de férias, com a intenção de levá-los para obras no interior e em outros Estados.

 “A questão fundamental para o engenheiro é a prática e é isso que precisamos proporcionar”, disse Rezende.

Fonte: O Estadão

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