Congressistas republicanos chegam para a sessão que culminará na votação da reforma do sistema de saúde, no Capitólio, em Washington, neste domingo(21). (Foto: AFP PHOTO/YURI GRIPAS )
Os democratas da Câmara de Representantes dos Estados Unidos conseguiram na noite deste domingo (21) uma primeira vitória que aumentou o otimismo do partido sobre aprovação da reforma do sistema de saúde norte-americano. Os congressistas aprovaram uma votação de procedimento por 224 votos a favor e 206 contra – placar que, se for mantido durante a votação final do projeto de lei, garantiria sua aprovação.
Embora a consulta era apenas de procedimento sobre as regras do debate que precederá à votação em si, essa prévia já aponta que a maioria democrata está alinhada e deve contar com os votos suficientes para aprovar hoje os dois projetos de lei que estruturam a histórica reforma.
A reforma do sistema da saúde é a grande prioridade doméstica e principal promessa de campanha do presidente americano, que cancelou uma viagem pelo sudeste asiático para estar presente nos últimos períodos de negociação. Após a aprovação dessas regras, a Câmara iniciou duas horas de debates (uma para o Partido Democrata e uma para o Partido Republicano) sobre o projeto, que deverá ser votado ainda na noite deste domingo.
Concessões
Ao abrir a discussão, o líder da maioria democrata na Câmara de Representantes, Steny Hoyer, declarou: “Nos encontramos perante uma opção histórica”. Obama conquistou alguns votos democratas de última hora, depois que a Casa Branca anunciou nesta tarde que irá emitir, assim que a proposta for aprovada, uma ordem executiva garantindo que verbas federais não poderão ser usadas para abortos.
Muitos opositores à reforma alegam temer que o dinheiro federal acabasse financiando abortos. Depois do acordo anunciado pela Casa Branca e por líderes do partido, esses parlamentares garantiram seu apoio à reforma
Tarde de debates
O debate formal começou oficialmente por volta das 15h (horário de Brasília), e deve se prolongar até a hora da votação, programada para acontecer em algum momento entre o fim da tarde e começo da noite deste domingo.
Durante a sessão, os parlamentares, um a um, se pronunciaram o projeto de lei que foi aprovado no dia 24 de dezembro, com algumas emendas solicitadas pela câmara baixa.A Casa votará a versão aprovada pelo Senado e que, se aceita, será lei assim que Obama assiná-la. A Câmara também colocará em votação um segundo pacote de revisões da medida, pedido pelos democratas.Obama fez um apelo aos congressistas democratas para que aprovem a reforma, em votação que ele definiu como “histórica“: ”Vocês têm a chance de cumprir bem as promessas que fizeram”, disse.
Se a Câmara aprovar as mudanças no pacote do Senado, os senadores colocarão o projeto em votação na próxima semana e uma maioria simples de 100 membros aprova a legislação. Na véspera,
Mais cedo, líderes democratas afirmaram que o partido já garantiu os 216 votos necessários para a aprovação da reforma.O texto de lei permitirá garantir a cobertura médica para 32 milhões de americanos que não têm nenhum plano de saúde. O objetivo é cobrir 95% dos americanos com menos de 65 anos; os mais velhos já são atendidos pelo sistema Medicaire.
Manifestantes protestam contra a reforma na saúde em frente ao Capitólio neste domingo (21), enquanto congressistas debatem o projeto de lei antes da votação. (Foto: AFP)
Enquanto os debates acontecem, centenas de manifestantes protestam do lado de fora do Capitólio aos gritos de “Kill the Bill” (algo como matem o projeto, em português).Muitos entraram no local e ficaram passeando pelos corredores para segurar os deputados e, de alguma forma, atrapalhar os procedimentos da Câmara.
O Partido Democrata tem a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, mas o projeto de Obama é ameaçado por resistências dentro de seu próprio partido. No opositor Partido Republicano, é unânime o rechaço ao projeto de Obama. Os republicanos dizem que ele é caro demais e que representaria o controle de uma grande parte da economia do país pelo governo.
Marsha Blackburn, representante republicana, denunciou democratas por comemorarem uma legislação que, segundo ela, traria dependência do governo federal e a morte da liberdade.
(Com informações da AFP, da EFE e da Reuters)
Popularity: 1% [?]