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 Foto: Divulgação/Seind
Linda Vargas vai estudar na The George Washington University
 
A índia Lindomar da Silva Vargas, 34 anos, da tribo marubo, recebeu um convite para fazer mestrado na Trachetenberg School Policy and Public Administration, da George Washington University. Ela será a primeira índia a participar do programa mundial que forma líderes políticos, intitulado Alumi Small Grants Announcement, na mesma universidade por onde já passaram Barack Obama, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso.

Ela está no penúltimo período do curso de administração pública na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Linda, como é conhecida, foi beneficiada com as cotas destinadas aos povos indígenas no estado. Em junho deste ano, ela já esteve nos Estados Unidos, a convite do governo norte-americano, para falar sobre política indígena no Amazonas.

“Quero primeiro pensar na minha conclusão de curso. De qualquer forma, acredito que seja um passo importante para fazer com que minha possível passagem pelos Estados Unidos, estudando em um local de formação de líderes políticos mundiais, possa refletir em benefícios para o povo de minha tribo. Esse seria meu maior sonho”, disse Linda.

Ela lembrou do encontro de meia hora que teve com Barack Obama, em junho deste ano. “Vários representantes indígenas do mundo todo estiveram presentes. A conversa foi muito rápida e suficiente apenas para me identificar e falar um pouco sobre meu povo”, afirmou a índia marubo.

Ameaçada de morte 

Linda nasceu em Atalaia do Norte (AM), na tribo marubo. “Vivi na cabeceira do Rio Curuçá, no Vale do Javari, até meus 9 anos, quando descobri que só estava viva por causa de minha mãe.” Ela revelou que, por tradição da cultura marubo, o primeiro filho de um casal indígena deveria nascer homem e herdar os dons curativos do pai. “Nasci mulher e não receberia esse dom. Meu pai quis me matar, mas minha mãe lutou pela minha vida.”

Ao saber do desejo de seu pai em matá-la quando ainda era bebê, Linda disse que ficou revoltada, mas que a dor maior veio dias depois, ao descobrir que o pai, na condição de dexá-la viver, a prometeu em casamento a um índio da tribo. “Soube que não poderia escolher com quem casar e me revoltei ainda mais. Não conseguia entender por que teria de casar com um índio que já tinha três mulheres. Eu seria a quarta esposa”, disse ela.

Decidida, Linda disse  que, apesar dos 9 anos de idade, entrou na Floresta Amazônica e fugiu da tribo. “Entrei em uma picada, que nem sabia para onde me levaria. Corri muito, mas os índios descobriram que eu tinha fugido e, como andam muito rápido no meio da selva, conseguiram me capturar e levar de volta para a tribo. Meu pai me prometeu uma grande festa de casamento, mas não quis.”

Iniciação escolar

Um missionário religioso que atuava na região da tribo marubo intercedeu e a levou para estudar em um colégio de freiras em Cruzeiro do Norte (AC). “Terminei o que hoje seria o Ensino Fundamental, e quase virei freira. Como não queria a vida religiosa, saí da escola após a conclusão dos estudos. Em seguida, conheci um coronel do Exército, com quem me casei. Me separei aos 20 anos ao descobrir que ele queria virar índio e ter mais de uma mulher”, brincou Linda. 

Ela se mudou para Porto Velho, onde terminou o Ensino Médio e conheceu o pai de seus filhos, Andreza, de 12 anos, e Marlon, de 11 anos. “Minha família me descobriu novamente e pediu para me buscar. Depois de tanto tempo, eles já tinham evoluído e eu também tinha amadurecido. Conversamos, mas decidi ir para Manaus.”

Rumo aos Estados Unidos

Linda disse que entrou na Universidade do Estado do Amazonas em 2006 por meio do sistema de cotas e pretende concluir o curso de administração pública em 2010. “Eu aceitei a bolsa de mestrado, mas tem um pequeno detalhe que precisa ser negociado. Tenho dois filhos e não falo inglês perfeitamente.”

Enquanto se prepara para aprimorar o conhecimento da língua inglesa, Linda assumiu o cargo de chefe do departamento de Orçamento e Finanças da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind). Ela controla um orçamento de R$ 3 milhões, em 2009, mas que pode alcançar R$ 10 milhões em 2010, segundo o secretário Jecinaldo Sateré, titular da pasta.

Fonte G1

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Babau,O Lampião tupinambá

Publicado por Tulio em 21 novembro, 2009.

 

Marcelo Min

Ele enfrenta sem medo a Polícia Federal
 
 
O riso é estridente, quase debochado. Enquanto ri, Rosivaldo Ferreira da Silva, de 35 anos, chacoalha todo o corpo, a fileira de dentes de boi que carrega no pescoço e o cocar de penas na cabeça. A irreverência e a simpatia contrastam com a descrição feita pela Polícia Federal das ações e do caráter de Rosivaldo, ou Cacique Babau, como ele é conhecido no sul da Bahia. Sobre a mesa do delegado federal Cristiano Barbosa, a pasta intitulada Dossiê Cacique Babau dá a dimensão das façanhas atribuídas a Rosivaldo. São ao menos dez inquéritos, em cerca de 500 páginas, que incluem acusações de sequestro, furto, invasão de propriedade privada, incêndio criminoso, porte ilegal de armas, ameaça, formação de quadrilha.

Babau é um dos líderes do grupo de 3 mil pessoas que se autointitulam tupinambás, os primeiros índios com quem Pedro Álvares Cabral travou contato ao desembarcar em terras brasileiras. Desde 2004, ele e seu bando já invadiram 20 fazendas na região da Serra do Padeiro, localizada entre os municípios baianos de Ilhéus, Buerarema e Una. De acordo com a Polícia Federal, os índios usam armas e recorrem à violência em suas invasões. Nos últimos cinco anos, Babau passou a ser considerado por autoridades locais um inimigo público no sul da Bahia.

Babau dá risada quando confrontado com sua ficha policial. Nega que ande armado ou promova a violência, mas se deleita ao lembrar que os tupinambás ficaram conhecidos como um povo guerreiro e canibal. “De vez em quando a Polícia Federal vem aqui buscar um cadáver. Não encontra nada, só a gente comendo carne assada. Mas é carne de animal. Nossos antepassados faziam prisioneiros para virar almoço. É por isso que eu não sequestro ninguém. Se sequestrar, a gente vai ter de comer”, afirma Babau, às gargalhadas.

Por sua ótica, as invasões são “retomadas” de áreas que eram terras dos indíos até 1500 e foram usurpadas pelos brancos ao longo da história do Brasil. Para seus seguidores, estudiosos, autoridades e até mesmo rivais, Babau é uma espécie de versão cabocla de Lampião, o histórico chefe do cangaço. No sul da Bahia, diz-se que a cabeça de Babau valeria R$ 30 mil.

Em novembro do ano passado, a Polícia Federal tentou prender Babau. Escalou 120 homens, munidos de balas de borracha e gás lacrimogêneo. Foi recebida a pedradas. No fim da operação, a PF não prendeu o cacique e ficou encurralada na mata. A mando de Babau, os índios bloquearam as estradas de terra com troncos de árvore. “Nós chegamos à tribo ostensivamente armados, e o Babau nos enfrenta”, diz, abismado, o delegado da Polícia Federal Cristiano Barbosa. Em junho, em outra operação, policiais federais foram acusados de torturar quatro índios do grupo de Babau. O inquérito, conduzido pelo delegado Barbosa, concluiu que os policiais não cometeram crime.

Boa parte dos índios atribui às ações de Babau a finalização, em abril, do relatório da Fundação Nacional do Índio(Funai) que dá aos tupinambás um território de 47.376 hectares. A área se estende da Serra do Padeiro ao litoral baiano e inclui centenas de fazendas, hotéis, cemitério, além de quase metade da Vila de Olivença, uma das primeiras concentrações urbanas do Brasil, em Ilhéus. Se for homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que pode acontecer em alguns meses, a reserva indígena dos tupinambás será 43% maior do que a cidade de Belo Horizonte.

A possibilidade de demarcação inflamou a identidade indígena, oculta até recentemente. Babau não tem apenas um robusto prontuário policial. A escola e os fornos de farinha da aldeia, construídos com financiamento público, são exemplos de sua liderança e de sua capacidade de articulação. Essas habilidades foram desenvolvidas longe das matas da Serra do Padeiro. Babau, cujos traços faciais revelam mais sua ascendência negra do que a indígena, faz parte da primeira geração com ensino médio de uma família que vive do plantio de mandioca, banana e cacau em um pequeno sítio. Às vésperas da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, Babau foi para a escola em Santa Cruz Cabrália, primeiro ponto do país onde os portugueses pisaram. Lá, descobriu a América: algumas ONGs o fizeram ver que a ascendência indígena poderia garantir-lhe direito às terras onde nasceu. Babau engajou-se em fazer a Funai reconhecer seu grupo como os Tupinambás de Olivença.

 

Marcelo Min

Ruína de uma casa incendiada em uma das fazendas invadidas pelo Cacique Babau. A PF diz que foram os índios que provocaram o incêndio

O reconhecimento veio em 2002. De lá para cá, os tupinambás, que, de acordo com os documentos oficiais e a memória de agricultores da região, estavam desaparecidos havia mais de um século, saíram do armário. Munidos de cocar e de uma cópia da Constituição de 1988 (que reconhece os direitos dos indíos sobre as terras que tradicionalmente ocupam), começaram a pleitear áreas em Ilhéus e na região e a se multiplicar. De acordo com a Funai, em 2004 havia 3 mil tupinambás na Bahia. Em 2009, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) registrou 4.729 tupinambás, um crescimento de 58% em cinco anos. “Nem coelho consegue se reproduzir tão depressa. Isso é formação de quadrilha”, diz Luiz Henrique Uaquim, presidente da Comissão de Pequenos Agricultores da região. Uaquim desconfia que militantes sem-terra e agricultores estão engrossando as invasões indígenas. O trabalhador rural João Marques confirma a suspeita. “Babau me chamou para entrar no movimento. Disse que eu tinha cara de índio. Mas eu não quis”, diz Marques, que garante não ter ascendência indígena. Babau nega ter inflado seu grupo, mas admite ter recebido propostas para fazê-lo. E acusa outros caciques de aceitar filiar sem-terra aos tupinambás. É possível que isso tenha ocorrido. O recenseamento da Funasa é feito com base nas informações dadas pelos caciques sobre suas aldeias. Para ser considerado índio basta que o sujeito se autodenomine como tal. “Nasci e cresci aqui, e só nos últimos anos começou a aparecer índio para todo lado”, diz Alcides Kruschewsky (PSB-BA), vereador em Ilhéus. “Sou descendente das mesmas pessoas que os que se dizem índios são. Esse grupo achou um argumento infalível para conseguir terra: dizer que é índio.”

Fonte Revista Época

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Ação civil pública tem como alvo o McDonald´s, o Bob´s e o Burger King.
Procurador alega que brinquedo incita o consumo de comida muito calórica.

Foto: Divulgação
Brinquedos vendidos em novembro na rede McDonald’s
 
O Ministério Público Federal em São Paulo entrou com uma ação civil pública para que três grandes redes de fast food suspendam as promoções que vêm com brinquedos porque eles influenciariam crianças na compra de lanches. O argumento é o de que esses alimentos são muito calóricos e contribuem para problemas como a obesidade infantil.

Autor da ação, o procurador da República Márcio Schusterschitz da Silva Araújo alega que os lanches, compostos por hambúrgueres, batatas fritas e refrigerantes, fazem do brinquedo “um prêmio” para o consumo de um alimento que traz risco à saúde de meninos e meninas. A ação tem como alvo as redes McDonalds, Bob’s e Burger King e suas promoções: McLanche Feliz, Lanche Bkids e Trikids (respectivamente). 

Araújo argumenta que a estratégia de marketing das três empresas “incita o consumo e fideliza o consumidor infantil a um produto altamente calórico”. Ainda de acordo com ele, “a associação com o brinquedo retira o fundamento de escolha do alimento”, como consta na nota divulgada nesta segunda.
Para o MPF, o direito do consumidor limita as possibilidades do marketing infantil. Com a venda dos brinquedos, a compra seria influenciada não propriamente pelas qualidades do lanche, “mas pela criação abusiva de associações emocionais estranhas ao processo alimentar”, afirma Araújo. Para ele, a alimentação “é fundamental na formação da personalidade da criança”.
 

 

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