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A comida pode salvar um relacionamento?

Publicado por Tulio em 10 abril, 2010.

O mercado Campo dei Fiori, em Roma, visitado por Paula todas as manhãs

O mercado Campo dei Fiori, em Roma, visitado por Paula todas as manhãs

 

Minha avó sempre me disse que homem se conquista pelo estômago. O ditado é antigo e eu sempre desconfiei de sua veracidade. Não é muita falta de romantismo?! Esses dias ele me voltou à cabeça enquanto eu lia sobre o lançamento de um livro nos Estados Unidos. “Keeping the feast”, algo como “Mantendo o Banquete”, da jornalista Paula Butturini, fez-me acreditar que talvez o conselho da minha avó não seja só reflexo de uma sociedade utilitarista além da conta. No livro, Paula conta como cozinhar salvou seu casamento com o também jornalista John Tagliabue e manteve sua sanidade mental.

Paula e John se conheceram na década de 1980 em Roma, na Itália, onde trabalhavam como correspondentes. Em 1987, trocaram a cozinha italiana que embalara o início do romance pela culinária polonesa. John fora designado para coordenar o escritório do “The New York Times” em Varsóvia, agitada pela iminência do fim do regime comunista. Mas a temporada do casal no Leste Europeu foi traumática. Paula foi agredida enquanto cobria uma manifestação popular. John ficou gravemente ferido após levar um tiro durante a cobertura da deposição do ditador romeno Nicolae Ceauşescu. Ferido e traumatizado, o casal decidiu voltar para a Itália para tentar resgatar os bons momentos que haviam vivido. Mas a depressão em que John mergulhou fez da nova temporada italiana um desafio à sobrevivência do casamento. Paula se apegou a sua rotina diária – cozinhar refeições para os dois – em uma tentativa de reanimar o marido e de manter sua própria cabeça ocupada com assuntos mais amenos.

“Preparar as refeições favoritas da família, pratos que nós conhecíamos e de que gostávamos há muito tempo, foi de grande ajuda para o meu marido”, me contou Paula em mensagens eletrônicas que trocamos esta semana. “Essas refeições traziam de volta boas recordações, lembravam-no dos tempos em que ele não estava doente, da sua infância, dos dias em que as coisas eram simplesmente mais fáceis para ele.” Para Paula, pensar e preparar com carinho as refeições também serviu como terapia. Todas as manhãs, ela ia até um mercado ao ar livre no centro de Roma, o Campo dei Fiori, comprar os ingredientes. “Sair do apartamento todas manhãs durante o período em que meu John esteve tão doente era muito terapêutico. Eu respirava fundo, andava até o mercado, comprava comida simples e fresca, carregava tudo de volta para casa e me concentrava em tornar aqueles ingredientes em uma comida gostosa e nutritiva para nós dois. Se eu não tivesse uma desculpa para sair e deixar minhas preocupações para trás, talvez eu não tivesse forças para suportar aquele período”, diz Paula. “Poder ir até o mercado me manteve sã. Cozinhar e dividir as refeições com John nos manteve juntos.”

Conversar com Paula me fez entender que eu estava levando as recomendações da minha avó muito ao pé da letra. Não se trata de conquistar alguém com comidas gostosas. Trata-se de ser capaz de um gesto de carinho com o outro. É uma questão muito mais emocional e afetiva do que de gula. Vendo meu namorado estressado, com os nervos em frangalhos nos últimos dias, resolvi preparar um jantar para ele se sentir amparado. Nada muito sofisticado. Em vez de esquentar o arroz e grelhar o frango de todas as noites, decidi fazer um risoto com o que encontrei nos armários e preparei um picadinho de frango com legumes. Peguei o super tempero secreto preparado pela mamis, misturei o arroz, tomate sem pele, palmito picado e requeijão. Cortei abobrinhas, cenouras, tomate e cebola para refogar junto com os bifes de frango que cortei em pedacinhos. Reguei tudo com shoyo. Uma hora depois coloquei o jantar na mesa. Meus amigos, estava horrível! O pobre do namorado, tentando agradar, disse: “está ótimo seu macarrão”. Acontece que decidi usar arroz integral em vez do comum, sem saber que ele demora muito mais tempo para cozinhar. Para ajudar, esqueci a panela no fogo enquanto escutava o namorado desabafar. O arroz, além de duro, torrou. O picadinho de frango tinha gosto de shoyo queimado, se é que isso é possível. Com a minha mania de não usar óleo, o frango pegou na panela e virou um refogado de queimado quando eu joguei o shoyo. Quando acabou a tortura, digo, a refeição, atacamos os restos de ovo de Páscoa. Foram exterminados. O arroz que sobrou foi para o lixo, apesar da minha dor no coração.

O jantar foi um fracasso. Mas, quando terminou, o namorado parecia bem mais à vontade! Tínhamos esquecido os problemas do dia a dia, dado boas risadas, passado um bom tempo juntos. Mas será que um relacionamento sobrevive a anos de jantares desastrosos? Perguntei para a Paula se essa história de cozinhar não era só para quem sabe, tem tempo e pode gastar muito com ingredientes especiais (os verdadeiros gourmets). “Cozinhar não é nada glamouroso”, ela me respondeu. “Eu até concordo que é necessário um pouco de tempo, mas, se uma receita tiver mais de 15 ou 20 ingredientes, eu não faço. As melhores comidas são as mais simples, feitas com ingredientes naturais, comuns.” Lembrei-me das receitas que fazem sucesso lá em casa e que foram passando de geração em geração. É verdade, são todas simples: o ovo mexido com cheiro verde que meu bisavô adorava e ensinou a minha mãe fazer, o bacalhau com batatas e cebola da bisa portuguesa, a polenta ao molho de frango da bisa italiana. O doce de banana da mesma bisa italiana que já foi parar no teto da cozinha depois que a panela de pressão explodiu. O pudim de furinho (como eu dizia quando era pequena por causa do suspiro que vai em cima) que meu avô adorava.

Ao terminar o pequeno inventário gastronômico da família, tive de dar razão à minha avô e à Paula: cozinhar é um ato de amor (seja ele fraternal ou entre marido e mulher). Mas ainda não estou tão certa de que carinho ao cozinhar basta por si só. Vocês acham que um relacionamento sobrevive a uma péssima cozinheira?

 Fonte Época

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Afortunado nhoque

Publicado por Tulio em 3 abril, 2010.

 Afortunado nhoque

Nhoque dourado de batata, do bar Bottega BottaGallo, em São Paulo

Lendas e histórias extra-oficiais sustentam a fama de que comer nhoque no dia 29 traz sorte. Pelo sim ou pelo não, para quem gosta de comer bem a efeméride da data acaba servindo como pretexto, já que a fortuna está mesmo em saborear o tradicional prato de origem italiana. Até o final do século XIX, o termo maccherone era usado para nomear toda a sorte de massas caseiras feitas pelas mammas. Foi assim com o nhoque (ou gnocco), uma das pastas frescas mais antigas de que se tem notícia. Hoje, ele é quase uma instituição italiana, popular em qualquer canto daquele país – e de tantos outros que assimilaram os costumes culinários da Bota.

De acordo com a Grande Enciclopedia Illustrata Della Gastronomia (Editora Mondadori, 2005), espécie de bíblia da cozinha italiana, o nhoque teve origem no norte, na região do Vêneto, e foi disseminado pelos romanos durante o império. “No começo, eram feitos à base de água e semolina, um derivado do trigo de consistência bem mais leve do que a farinha que conhecemos hoje”, diz o chef italiano Sauro Scarabotta, do restaurante Friccò, em São Paulo. Somente por volta de 1700 é que a batata foi introduzida à receita. E talvez tenha sido ela mesma a responsável por popularizar o prato – que mais tarde ganhou versões preparadas com abóbora, espinafre e mandioquinha.

“A escolha das batatas é determinante para dar leveza à massa”, conta Gabriel Lourenço, membro do Italian Culinary Institute for Foreign (Instituto de Culinária Italiana para Estrangeiros), o Icif, no Rio Grande do Sul. Segundo Gabriel, elas não podem ser nem muito grandes nem novas. A tese é confirmada pelo chef Scarabotta: batata ‘velha’ é que faz nhoque bom. A explicação, segundo ele, está na baixa concentração de umidade das batatas menos frescas e mais murchinhas. “Elas são perfeitas para fazer um bom nhoque porque têm pouca água”, completa.

A do tipo asterix, de casca roxa, também é uma boa opção, diz o chef Paulo Barroso de Barros, do premiado Due Cuochi Cucina, em São Paulo. “Ela é bem seca e, por isso, exige menos farinha na hora de dar a liga na massa”, afirma.

Sim, a farinha de trigo é outro elemento-chave na receita. Não há nada pior do que comer nhoque grudento e pesado, daqueles que colam nos dentes e no céu da boca. Quando isso acontece é culpa do excesso de farinha. “O cozimento do nhoque é rápido. Se tiver muita farinha na massa, ela não cozinha completamente e fica com textura e gosto crus”, diz Barros.

Dicas para acertar o ponto do nhoque de batata
Deu para perceber que, embora seja composto de ingredientes simples, o nhoque tem lá seus segredinhos na hora do preparo. Os chefs Sauro Scarabotta e Paulo Barroso de Barros desvendam alguns deles.

Receita básica para 6 porções

1 quilo de batata + 200 gramas de farinha de trigo + 3 gemas

1. Use batatas do tipo asterix ou holandesa, de preferência as que não estiverem tão frescas.

2. Em vez de cozinhá-las em água, asse todas elas com a própria casca em forno médio por cerca de uma hora. Isso ajuda a retirar o excesso de umidade e concentrar o sabor do ingrediente.

3. Passe as batatas ainda quentes pelo espremedor. Com elas frias, o procedimento fica mais difícil.

4. Coloque a farinha de trigo em uma frigideira e toste-a em fogo médio por cerca de cinco minutos ou até adquirir um tom bege claro.

5. Agregue todos os ingredientes sem mexer demais a massa, para deixá-la leve.

6. Acrescente pitadas de noz moscada ralada e queijo parmesão.

7. Divida a massa em seis partes, faça rolinhos em uma superfície levemente enfarinhada, para não grudar, e corte os nhoques.

8. Na hora de cozinhá-los, use água fervente com sal. Dispense o uso de óleo, que pode dificultar a absorção do molho.

9. Quando as bolinhas de massa subirem até a superfície da panela, recolha-as imediatamente com a ajuda de uma peneira.

Fonte G1

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Confira linha do tempo da comida

Publicado por Tulio em 30 março, 2010.

Do neolítico até hoje, veja principais acontecimentos que marcaram a história de como o homem se alimenta

Editora Globo
(Crédito: Shutterstock/ Reprodução)
 

Fonte: Revista Galileu

Da caça ao fast-food, muito mudou na maneira como nos alimentamos. Galileu preparou um histórico das principais alterações no modo como nos relacionamos com os alimentos desde a pré-história. Confira:
 

 

* Neolítico
Primeira grande mudança na alimentação. Passagem do homem caçador para o agricultor.
 
* 5400 AC – Pérsia (Irã)
Surge o vinho. A prova: vestígios de ácido tartárico encontrado em vasos da época. Os persas conheciam também o sorvete, por exemplo.
 
* 4000 AC
Os chineses já cultivavam laranjas.
 
* Até 2 DC – Império Romano
As pessoas comiam deitadas em camas dispostas num ambiente chamado Triclinium. A base do tempero era o garum, um fermentado de vísceras de peixe que valia mais que o ouro. Ainda hoje se come garum, mas apenas no Vietnã. O primeiro livro de cozinha, Apicius, é com receitas dessa época.
 
* Alta Idade Média (século 5 a 11)
Feudalismo, era de força, guerras. Comia-se muita carne e o bacana era ser gordo.
 
* Século 8
Os muçulmanos trazem do Oriente para a Europa as laranjas, gado, café, arroz e a cana-de-açúcar, que estimularia grandes expedições pelo mundo.
 
* Século 10
O Império Bizantino inventa a toalha de mesa, os talheres e a mesa para as refeições. Antes disso, a maioria das refeições era feita deitada (Imp. Romano) ou sentada no chão (muçulmanos).
 
* Século 13 – Europa (sobretudo península Ibérica)
Durante a Inquisição, uma das maneiras mais simples de se identificar famílias judias (ou cristãos novos) era verificar o que comiam, já que as diferenças étnicas são poucas. Porco, animais que não tenham casco bipartido e crustáceos fazem parte da lista de tabus alimentares dos judeus, assim como o pão feito com levedura. Nesse período, o pão ázimo praticamente desaparece da Europa. Além disso, todas as diásporas foram importantes para espalhar pelo mundo produtos judaicos: o cordeiro como carne básica, a amêndoa como base para doces, o azeite de oliva. A cozinha judaica sempre foi uma culinária de fusão entre a mediterrânea, árabe e ibérica.
 
* Século 15
Chegada dos produtos americanos na Europa e dos europeus na América. Introdução de cana-de- açúcar, café, laranja e gado (trazidos do oriente para Europa pelos muçulmanos). Da América para a Europa foram feijões, batatas, tomate, pimentão, cacau.
Curiosidade: batata era comida de porco, só passou a ser consumida por gente no século 18. Muito de sua implantação se deve a Parmentier, o francês que até hoje batiza um conhecido prato feito com… batata.
 
* Séculos 15, 16 – Itália
Cozinha italiana fica forte, junto com o Renascimento. Banquetes fartíssimos, comida barroca, vários temperos misturados. Curiosidade: uma coisa que eles faziam bastante era rechear um porco com um pavão, que por sua vez estava recheado por um frango, que por sua vez vinha com uma perdiz dentro. Uma matrioska da gula.
 
* Século 17 – França
Hegemonia da cozinha francesa (dura até hoje). Não só a comida, como a “art de table” francesa, os modos. Começou com Luís XIV. Depuração do gosto.
 
* Século 19
Invenção do Hambúrguer nos Estados Unidos – 1885
Invenção da Coca-Cola – 1886
 
* Anos 1910 – França
Surge o primeiro guia de restaurantes/viagens, o Michelin (o senhor fabricava pneus, portanto tinha que fazer com que as pessoas gastassem seus pneus, assim resolveu lançar um guia de viagens). É o mesmo Michelin que até hoje manda na gastronomia mundial.
 
* Anos 50
A moda das lanchonetes americanas, fast food
 
* Décadas de 70/80 – França
Nouvelle Cuisine
Porções mínimas, pouco cozimento, poucos molhos, o alimento com o sabor natural dele. Pratos bonitos e elaborados. Coincide com a época do culto ao corpo. Condimentos praticamente reduzidos ao sal
Globalização do gosto – temperos vindos do mundo inteiro se misturando.
 
* Anos 90 – Catalunha
Revolução catalã, comandada por Ferran Adrià. A cozinha como laboratório. Cozinha molecular (tecno emocional).

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Foto: Reprodução/TV Globo

Temporada 2010/2011 começa em novembro deste ano.

A temporada brasileira de cruzeiros marítimos iniciada no final de 2009 terminará só em maio, mas as contratações para a próxima temporada, que ocorrerá entre o final de 2010 e o início de 2011, já começaram. Há pelo menos 3.500 vagas abertas – algumas delas poderão atender a demanda de cruzeiros internacionais.

As oportunidades pedem que os candidatos tenham a partir de 18 anos, conhecimentos de inglês e, na maioria dos casos, experiência na área de interesse. Os salários variam de US$ 566 (R$ 1.008,39) a US$ 2.900 (R$ 5.166,64). 

As vagas são para cargos como assistente de garçom, garçom, bartender, camareira, cozinheiro, fotógrafo, massagista, cabeleireiro, confeiteiro, manicure, recepcionista, técnico de luz e áudio e vendedor, entre outros. Veja abaixo como se inscrever.

Empresa Vagas Salário Cargos Requisitos Como se candidatar
Sun & Sea 300 De US$ 566 a US$ 2.900 cargos nas áreas de limpeza, restaurante e recepção, monitores infantis e de esportes, técnicos de luz e som e consultores de sistemas  ter a partir de 21 anos e inglês níveis intermediário ou conversação (depende do cargo). A função de monitor pede nível superior e a de consultor de sistemas, certificado da Microsoft www.trabalhoabordo.com.br
Infinity Brazil 500 De US$ 550 a US$ 1.200 assistente de garçom, camareiro, garçom, fotógrafo, vendedor, técnico de áudio, técnico de luz, massagista e cabeleireiro ter entre 18 e 35 anos, inglês intermediário, avançado ou fluente (depende do cargo) e  experiência ou conhecimentos na área www.infinitybrazil.com.br
Staff Work* 700 De US$ 600 a US$ 2.500 cargos nas áreas de restaurante, bar, cozinha, recepção, vendas e fotografia ter entre 21 e 35 anos, inglês avançado ou fluente e possuir experiência na área de interesse www.staffwork.com.br
World Map Ship Jobs 2.000 De US$ 700 a US$ 1.500 garçom, assistente de garçom, bartender, camareira, cozinheiro, fotógrafo, massagista, cabeleireiro, confeiteiro, recepcionista, entre outros ser maior de 21 anos, ter ensino fundamental completo, ter experiência de seis meses na função desejada e nível de inglês intermediário a avançado  curriculo@shipjobs.com.br
*inscrições até 21 de março

 Temporada

A próxima temporada brasileira de cruzeiros começará em novembro de 2010. Após embarcarem, os tripulantes só retornam às terras brasileiras em maio de 2011. Há ainda a possibilidade de parte da tripulação ser transferida para temporadas internacionais, o que aumenta para até dez meses o período do contrato de trabalho.

De acordo com a legislação brasileira, pelo menos 25% da tripulação dos cruzeiros que passam pela costa do país deve ser brasileira, o que impulsiona a contratação para os cargos. 

Vantagens e dificuldades

 
As empresas contratantes alertam que os candidatos fiquem atentos às dificuldades do trabalho, como dividir a cabine com mais de uma pessoa (que pode ser de outra nacionalidade), dificuldade de entender diferentes sotaques, ficar longe da família e de amigos e enfrentar uma jornada de trabalho de até 13 horas diárias, sete dias por semana, dependendo da companhia.

Nos horários de folga, porém, os funcionários podem aproveitar para conhecer a cidade onde o navio está e curtir o passeio.  Há também a possibilidade de treinar o inglês ou até mesmo outros idiomas, além da experiência profissional na área de interesse.

Curso e passaporte

Os candidatos devem ficar atentos que, antes de embarcar, é preciso fazer o curso de segurança marítima exigido pela Marinha do Brasil. O curso custa R$ 700, em média, e tem duração de aproximadamente uma semana. Segundo as empresas recrutadoras, os candidatos podem fazer o curso depois que já foram admitidos para a vaga.Os interessados também devem estar com o passaporte em dia. 

Fonte G1

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A barriga é feita de escolhas diárias

Publicado por Tulio em 28 fevereiro, 2010.

20061218210224 barriga A barriga é feita de escolhas diárias

Fazia meses que não via meu pai. Tinha esperado as férias para fazer uma visita com calma, sem a mulher, os netos postiços, os amigos e vizinhos todos que costumam animar as festas e, de tanta alegria, não nos deixam conversar sozinhos nem curtir o silêncio juntos. Ainda não conhecia a casa nova, na nova cidade. Pequena, mas cuidadosamente arrumada. Até demais para um homem que mora sozinho, ousei pensar. Dois quartos, uma sala com cozinha americana, uma geladeira quase atrás da porta, tapetes e toalhinhas muito limpos.

– O que você quer comer? – perguntou.

Iríamos almoçar fora, claro. Aquela cozinha pequena é mais para o café; ele não é de cozinhar. Por causa do horário avançado, coisa de duas e meia da tarde de um sábado, sugeri um restaurante a la carte. Não confio nos bufês depois das duas. Comida velha não vale a pena.

Já sentados à mesa, ele me veio com um assunto repetido.

– Filha, estou com uma barriga que está me incomodando. O que faço para me livrar dela?

– Suponho que essa barriga não tenha surgido do nada. O que é que você anda comendo?

Menos de um ano depois de ter saído da casa da namorada para morar alguns quilômetros mais longe, imaginei que as refeições preparadas pela empregada tinham ficado no passado.

– Ah, filha. Eu costumo pedir marmitex. Depende das opções do dia. Às vezes é estrogonofe, tem dia que é linguiça, bife à parmegiana…

– Sei. Pratos bem leves, pelo jeito, né? – ironizei. E salada?

– Eles não têm muita salada.

Meu pai chegou a se orgulhar, tempos atrás, de ter aprendido comigo a comer verduras. Dizia isso de boca cheia (no sentido figurado), sentindo-se um tanto superior à turma da namorada, bastante afeita a açúcares e gorduras. Gabava-se de ser o mais ativo daquela outra família, já que em vez de dirigir fazia quase tudo a pé. De genética magra, nunca teve muitos problemas com a balança. Só agora, aos cinquenta e tantos, a barriga aborrecia sua vaidade. Agora, como a namorada fez tantas vezes, resolvia me perguntar como é que se faz pra cuidar da silhueta. Ao que me pareceu, tinha desaprendido.

No meio da conversa, o garçom veio ouvir o pedido. Como os pratos serviam duas pessoas, meu pai concordou em dividir um salmão cozido no vinho branco, arroz e legumes no azeite. Para mim era uma refeição ideal, mas para ele era um suplício. Aceitou porque era meu dia de visita, ou porque estava com o estômago sensível naquele dia. Mas previu que seria um dos almoços mais sem graça de sua vida. E desabafou. Gostava mesmo era de carne, temperos fortes, gordura que dá gosto às coisas. Não tinha nenhuma paixão por peixe nem por legumes cozidos.

E, ainda assim, queria perder a barriga.

Antes que o prato chegasse, desfilei todas as minhas teses acerca da boa alimentação. Disse que não era possível alcançar a desejada mudança em sua composição corporal sem fazer alguma alteração na dieta. Que era preciso priorizar os vegetais. Que uma rotina de exercícios físicos – coisa que ele já deixou claro que detesta – ajudaria, evidentemente, mas não substituiria as melhorias na alimentação. Fiz inúmeras sugestões. Que tal cozinhar pelo menos um pouco – coisas simples e muito rápidas, como brócolis, vagem ou couve-flor no vapor? Ele pôs defeito nos legumes da minha lista. Que tal ser mais seletivo nas encomendas de marmitex e complementar os pratos com uma salada comprada na feira e temperada em casa? Aí a desculpa foi falta de tempo. E se você comprasse a comida em outro lugar? Nada parecia solucionar a questão. Todas as dicas e palpites que eu ensaiava eram imediatamente rebatidos com uma objeção. Até que perdi a paciência:

– Se você não quer mudar nada, então contente-se com sua barriga. A escolha é sua. Ou você continua comendo as mesmas comidas pesadas, ou você reduz a barriga. As duas coisas não dá para ter.

Sem grandes prazeres, comeu o salmão com legumes. Depois de pagar a conta, saiu para fumar um cigarro – este, sim, um prazer que ele não larga há décadas. No caminho para casa, contou que finalmente estava decidido a parar de fumar. Queria cuidar melhor da saúde, da pele, dos dentes. Disse que iria procurar um médico e fazer algum tratamento para se desfazer do vício. Incentivei, claro. Vai que dessa vez dava certo? Depois de passar a vida toda insistindo para que ele abandonasse o hábito maldito, só me restava aplaudir uma atitude mais firme nesse sentido. Até acrescentei argumentos. Além de evitar males terríveis e ficar mais cheiroso, quem sabe, deixando o cigarro, ele poderia recuperar o paladar e sentir o verdadeiro gosto dos alimentos. Quem sabe, sentindo mais os sabores, aprenderia a apreciar o que é saudável e perceber nos gostos fortes a presença exagerada das gorduras e dos açúcares que fazem mal.

No dia seguinte, pudemos chegar em tempo a um restaurante a quilo, desses onde a gente se deslumbra com a variedade e enche o prato além da conta. Para mostrar que tinha aproveitado a conversa da véspera, meu pai se serviu só de salada, para começar. Na segunda rodada, foi mais honesto.

– Então a dica é forrar o estômago com verdura e preencher com comida de verdade, né? – fez graça, sem esconder a malandragem. E exibiu, com sorriso de moleque, as opções prediletas do dia: carne de porco com pele, torresmo e lasanha. E, para ajudar a descer, coca-cola. Não discursei mais. Meu recado estava dado; cabia a ele seguir ou não.

O episódio me faz desconfiar que quem gosta de comida pesada e custa a gostar de comidas mais equilibradas vai sempre dar um jeito de convencer a si mesmo de que sua dieta não é tão má assim. À pergunta “o que devo comer para ficar em forma?”, me parece, já foram dadas todas as respostas, em livros de dietas, em programas de TV, em revistas, em jornais, em sites, em blogs. Mas só as aceita quem quer. Objeções como falta de tempo, inaptidão para cozinhar ou dificuldades logísticas sempre terão seu lugar, desde que a vontade de mudar para valer não seja real. É uma questão de escolha. Uns preferem a gula, outros prezam mais pelo metabolismo saudável.

E você? Já fez sua escolha hoje?

Fonte : Época (Francine Lima)

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” O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO”

Publicado por Tulio em 26 fevereiro, 2010.

2203045242 4d7e33bd23   O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
   Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
  – Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
    E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
  – Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
    A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
    Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
    – Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
    Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.
    Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança…. Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…
    Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.
    O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
    – Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.
    Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
    Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite…
    Que saudade do compadre e da comadre!

  
José Antônio Oliveira de Resende
 Professor da Universidade Federal de São João del-Rei.

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Bolsa de Mulher

Publicado por Tulio em 22 fevereiro, 2010.

 

 

 Bolsa de Mulher

Você já notou que  as mulheres colocam suas bolsas em pias e pisos de banheiros públicos e depois vão diretamente para suas mesas de jantar e colocam-nas sobre a mesa? Colocam também na sobre a cama de dormir?
Nem sempre é o “alimento do restaurante” que provoca angústia no estômago. Às vezes, ‘o que você não conhece vai feri-lo’ ! 
  
  Mamãe fica tão chateada quando os convidados chegam na porta e jogam suas bolsas  no balcão onde ela cozinha ou prepara os pratos. Ela sempre disse que as bolsas são realmente sujas por causa de onde estiveram antes. As mulheres carregam bolsas em todo lugar, do escritório a sanitários públicos, ao chão do carro. A maioria das mulheres não vive sem suas bolsas, mas você já parou para pensar onde vai sua bolsa durante o dia?
 
‘Eu dirijo um ônibus escolar, por isso a minha costuma ficar no chão dele “, diz uma mulher. ‘No piso do meu carro, e nos banheiros’.
“Eu coloquei minha bolsa em carrinhos de compras e no chão do banheiro”, diz outra mulher ‘e, claro, na minha casa, que deveria ser limpa.”

 
Para descobrir se bolsas portam uma grande quantidade de bactérias, decidimos testá-las no Nelson Laboratories, em Salt Lake City, e, em seguida, partimos para testar a bolsa comum da mulher média.Acontece que bolsas são tão surpreendentemente sujas, que mesmo os microbiologistas que testaram ficaram chocados.
 
A microbiologista Amy Karen, do Nelson Labs, diz que quase todas as bolsas que foram testadas não só apresentaram níveis elevados em bactérias, mas ricos em espécies de bactérias nocivas. Pseudomonas que podem causar infecções oculares, Aurous Staphylococcus que podem provocar infecções cutâneas graves e as salmonelas  E-coli encontradas nas bolsas podem causar doenças sérias. Em uma amostragem quatro das cinco bolsas testou positivo para as salmonelas, e isso não é o pior. “Há coliformes fecais nas bolsas”, diz Amy.
 
Bolsas de couro ou vinil tendem a ser mais limpas do que bolsas de pano, e o estilo de vida parece desempenhar um papel. As pessoas com filhos tendem a ter bolsas mais sujas do que aquelas que não os tem. Com uma exceção, a bolsa de uma mulher solteira que freqüentava boates tinha uma das piores contaminações de todas. “Algum tipo de fezes, ou, eventualmente, vômito”, diz Amy. 
 
Assim, a moral desta história é que sua bolsa não vai matá-la, mas ela tem o potencial de fazer você ficar muito doente se você a mantiver em lugares onde você come. Use ganchos para pendurar sua bolsa em casa e banheiros, e não a coloque em sua mesa, uma mesa de restaurante, ou em sua bancada de cozinha. Especialistas dizem que você deve pensar em sua bolsa da mesma forma que um par de sapatos. “Se você pensar em colocar um par de sapatos em sua bancada, que é a mesma coisa que você está fazendo quando você colocou sua bolsa sobre a bancada.”
 
Sua bolsa foi onde as pessoas antes andaram, sentaram, espirraram, tossiram, cuspiram, urinaram, defecaram, etc! Você realmente quer trazer tudo isso para casa com você? O microbiologista no Nelson Lab disse ainda que a limpeza de uma bolsa vai ajudar. Lave as bolsas de pano e use limpa-couro para limpar o fundo de bolsas de couro.

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