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Causo do Tesouro e inocência do Contratador Caldeira Brant

Publicado por Luciano Becheleni em 20 agosto, 2010.

 

Residência de Felisberto Caldeira Brant

Residência de Felisberto Caldeira Brant

Nos meados do Século XVIII , a mineração no Arraial do Tijuco, atual Diamantina MG, estava a todo vapor, sustentando Portugal economicamente, suprindo as despesas da Corte Portuguesa com Ouro e Diamantes, até mesmo pagando a proteção aos Espanhóis contra pirataria Inglesa, por longas décadas.

As Leis que regiam o sistema exploratório no Tejuco eram bastante rígidas: havia um regime próprio, ligado diretamente a Coroa Portuguesa. Era como um Estado, dentro do Estado. Para se ter uma idéia, sequer o Governador da Província tinha poderes. A coleta do “quinto” era feita pelos Intendentes nomeados pela Coroa Portuguesa e armazenados em cofre forte na sede da Intendência, para posterior envio a Portugal, sob forte esquema de segurança.

Esta cobrança e a respectiva coleta, eram registradas em livro próprio com recibos datados e assinados por ambas as partes, os Contratadores de Diamantes e o Intendente. Assim sendo, de vez em quando surgia no Arraial do Tijuco um Ouvidor com a finalidade de fiscalizar os números, possíveis desencontros entre o que foi arrecadado localmente e o que foi enviado a Portugal, assim como as despesas gerais de manutenção da Cavalaria, proventos, etc. .

O Contratador dos Diamantes, na Vila do Tijuco, era Felisberto Caldeira Brant entre 1749 e 1752. Neto em 12º grau de Henrique III de Inglaterra, por parte de sua 10ª avó Marie d’Évreux também conhecida por, Marie de Dreux com sua esposa, Branca de Almeida Lara, foi, também, avô de importantes personagens históricos, os primos Felisberto Gomes Caldeira e Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, o Marquês de Barbacena.

Felisberto Caldeira Brant, mineiro audacioso, foi riquíssimo. Começou a acumular sua fortuna por volta de 1735, nas minas recém-descobertas de Goiás. Em 1744, ao abraçar a causa popular e participar de motins contra o quinto, os Caldeira Brant não tiveram outra escolha senão abandonar Goiás. Transferiram-se para Paracatu, onde minas acabavam de ser descobertas, mudou-se novamente, desta vez para o Tijuco (antigo nome da cidade de Diamantina), já com a intenção de arrematar o terceiro contrato de diamantes.

Felisberto foi acusado de ter arrombado o cofre em que os diamantes da intendência eram mantidos, forjando, dessa forma, um roubo a si próprio também. Essa acusação foi, desde o início, baseada em um argumento absurdo, ficando claro que Felisberto Caldeira Brant era alvo de uma armação por parte da Coroa, a quem ele se tornara altamente inconveniente por sua popularidade, riqueza e poder. O cofre da intendência possuía seis fechaduras; duas chaves estavam em poder do intendente do distrito, uma chave em poder do contratador, e as outras três chaves em poder dos empregados da intendência, como o Tesoureiro. Dessa forma, se tal cofre havia sido aberto, a responsabilidade pelo ocorrido era a mesma entre os cinco guardiões das chaves.

Às celebrações da Semana Santa de 1752, compareceu o ouvidor da Vila do Príncipe, o Dr. José Pinto de Morais Bacelar, o qual, comportou-se na igreja de maneira inconveniente, o que causou escândalo entre a população local. Ele, então, na tentativa de atrair a atenção de uma jovem, parenta dos Caldeira, jogou no colo dela uma flor, a qual ela recusou para preservar sua dignidade. Na igreja, houve um murmúrio de revolta. Aumentou a indignação de Felisberto que segredando palavras no ouvido de José Pinto de Morais Bacelar, foi esperar por ele à porta da igreja. Ao fim da festa, Felisberto Caldeira Brant exigiu do ouvidor que se explicasse e no meio de uma discussão, deu-lhe uma punhalada, que não feriu Morais Bacelar por ter atingido um botão de Ouro de sua casaca. O povo, do lado da família Caldeira, estava disposto a resistir. A intervenção de amigos e de padre Cambraia evitou que houvesse um confronto entre os dois lados.

Para os inimigos de Felisberto Caldeira Brant, entretanto, não foi difícil encontrar um pretexto. Devido ao roubo de seu ouro e diamantes do cofre da intendência, o contratador não podia imediatamente quitar sua dívida com a Coroa. Sacou uma letra de setecentos mil cruzados contra o caixa de sociedade em Lisboa em favor da Fazenda Real, prometendo-lhes na primeira ocasião remeter os diamantes que já haviam sido extraídos. Mas, uma vez que, por falta de fundos suficientes, o caixa da Corte Real não pode ou não quis aceitar a letra, a mesma foi recambiada ao Tijuco. Assim, Felisberto Caldeira Brant foi preso e sequestraram-lhe os bens como estivesse ele falido.

Diamantinense, filho de emigrante Italiano, tem a posse do que seria em tese, a alforria jurídica do Contratador Felisberto Caldeira Brant, corroborando sua inocência. Este Diamantinense, almeja um dia encontrar tão fabuloso tesouro, por isto, não disponibiliza a carta testamento do Tesoureiro da Intendência á época do furto do cofre forte, um dos guardiões de uma das chaves do cofre, inocentando o Felisberto Caldeira Brant que foi degradado, deposto, seus bens desapropriados pela Coroa e até hoje, tido como ladrão. Existe uma ação indenizatória na Corte de Haya (International Court Of Justice), no valor aproximado de US$390.000.000.00 (trezentos e noventa milhões) de dólares movida pela família Caldeira Brant, contra o Governo de Portugal, para ressarcir a família das desapropriações feitas á época, assim como restabelecer a sua dignidade e moral.

Com o advento do terremoto de novembro de 1755, muitos detentos do Limoeiro fugiram. Felisberto Caldeira Brant, no entanto, colocou-se diante do Marquês de Pombal, inquirindo-o sobre aonde devia ir. O ministro de Dom José I surpreendeu-se, e logo comunicou a situação aos brasileiros João Pereira Ramos, ao bispo de Coimbra e ao General Godinho, que procuraram comprovar que o antigo contratador era inocente e vítima de intrigas e perfídias. Mesmo assim, o Marquês de Pombal deu-lhe a liberdade, mas ordenou que continuasse a liquidação das contas de Felisberto Caldeira Brant e o exame do sequestro de seus bens.

Gravemente enfermo, Felisberto Caldeira Brant, que estivera preso por quase cinco anos, retirou-se para Caldas da Rainha, onde faleceu. Na década de 1960, um delegado na cidade Mariana, Minas Gerais, prendeu um sujeito por brigas na Zona do baixo Meretrício, este personagem era limpador de chaminé e pedreiro meia colher.

Certo dia, o limpador de chaminé em Mariana, desentupindo uma velha chaminé num sitio nos arredores de Mariana, deparou-se com um pequeno Baú de madeira. Abriu-o, e para sua euforia e surpresa, algumas patacas de ouro reluzente e algumas cartas. Vendeu as moedas no comercio local, e guardou as cartas em sua casa dentro do Baú.

Com o dinheiro da venda das moedas de ouro, enfurnou-se na Zona do baixo Meretrício de Mariana, arranjou uma briga feia, esfaqueando um concorrente amoroso e foi preso.

Antigo Garimpeiro em Diamantina, que aqui veio dar com os costados, justamente por conta do achado do limpador de chaminé, estava em Mariana passando a Lua de Mel e encontrou-se fortuitamente com um amigo de longa data, este amigo era justamente o delegado que havia prendido o limpador de chaminé. Contou o ocorrido ao amigo em lauto jantar, sabedor de que este, era profundo admirador e colecionador de antigüidades.

Combinaram para o dia seguinte, uma visita ao encarcerado limpador de chaminé, e este contou o achado com detalhes, dizendo que sobraram apenas algumas cartas envelhecidas, amareladas de difícil leitura.

O amigo do delegado, pediu para ver as cartas, o preso mandou recado a sua esposa, que em minutos trouxera as ditas cartas. Pagou o preço pedido pela relíquia sem ter vaga idéia do que se tratava.

Terminando sua lua de mel, já no conforto do lar, deu-se ao trabalho de decifrar a carta, escrita a pena com tinta nanquim.

Assombrou-se com o conteúdo da carta achada numa chaminé de Mariana.

Esta carta, escrita por um tesoureiro da Intendência dos Diamantes na Vila do Tijuco, dando conta ao inconfidente Claudio Manoel da Costa em Mariana e colocando a disposição do movimento da Inconfidência Mineira, por sugestão do Padre Rolim, 15 arrobas de Ouro (225 quilos) e dois litros de Diamantes graúdos.

Este Tesoureiro da Intendência fora ao confessionário do Padre Rolim, no Arraial do Tijuco, confessar o roubo ao cofre da Intendência, que não havia sido praticado pelo Contratador Felisberto Caldeira Brant, e sim por ele mesmo, e que estava arrependido do ato praticado, por ver o Contratador Felisberto Caldeira Brant ser execrado em praça publica como ladrão, preso e levado a cadeia publica de Lisboa e seus bens confiscados . Contou ainda que, depois de se aposentar da função de Tesoureiro, foi garimpar no Rio Caeté Mirim, e La retirou uma quantia idêntica em Diamante e Ouro, tomando este fato, como castigo de Deus.

O Padre Rolim, era um dos inconfidentes, a trama estava a passos largos e sugeriu ao Tesoureiro, o sacrifício de um homem, no caso o contratador Felisberto Caldeira Brant, em prol da causa da Inconfidência e convenceu o Tesoureiro escrever uma carta ao Claudio Manoel da Costa em Mariana, visto que o Claudio era o guardião dos fundos para a causa da Inconfidência Mineira, colocando tal numerário, fruto do roubo, a disposição do movimento. Assim o Tesoureiro procedeu, escreveu a carta, dizendo onde estavam enterrados os Diamantes e o Ouro, doando tal fortuna à causa do Movimento da Inconfidência Mineira.

O Claudio Manoel da Costa, poucos dias após receber a carta doação, foi preso e torturado em calabouço, sucumbido pelos próprios companheiros, para não dizer onde estavam escondidas as doações efetuadas ao movimento, consta que foi enforcado pelos próprios companheiros de cela.

O Tesoureiro larápio, sabendo da descoberta do movimento por parte da Coroa Portuguesa, teve um enfarto fulminante.

Esta carta existe, foi achada em uma chaminé no sitio que supostamente era habitado pelo inconfidente Claudio Manoel da Costa em Mariana e está neste momento em um cofre com uma pessoa em Diamantina. Por longas décadas buscou-se descobrir o local exato onde supostamente estaria enterrado este tesouro, contudo sem sucesso.

O Tesoureiro especificou detalhadamente, os sinais, passos, a partir da soleira da porta de sua casa, próximo ao Distrito do Inhaí, na serra da Maminha, ele depois de aposentado, construiu uma pousada e um rancho de tropas para viajantes. Um destes sinais, jamais foi encontrado, eram 3 petens (marcas côncavas feitas a ferro na rocha, para engate de escoras na construção de bicame).

Sugeri ao proprietário atual desta carta, sua exposição pública, para que com estudos apropriados, a memória de Felisberto Caldeira Brant fosse redimida e a história re escrita corretamente.

A sugestão foi infrutífera, o detentor atual desta carta, almeja um dia descobrir tal tesouro, assim como seu progenitor, passara mais de meio século a procura.

Mas suponho que, se alguém argüir juridicamente este proprietário, a Justiça por certo lhe confiscará tal documento, por se tratar de um bem histórico, de alta relevância para a história do País.


Luciano Becheleni Guimarães é residente de Diamante e especialista em mineração.



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Sandália dita a moda dos pés no São João

Publicado por Tulio em 4 julho, 2009.

Havaianas fabrica todo ano pares do calçado com tema junino. Estampa tem a assinatura do artista campinense Fred Ozanan.

A sandália Havaianas dita a moda dos pés no arraial do Parque do Povo, em Campina Grande (PB). Há pelo menos cinco anos a fábrica Alpargatas, com sede na cidade, estampa as “legítimas” com desenhos temáticos e que fazem menção ao que é considerado “O maior São João do Mundo”. A versão “matuta” do calçado tem a assinatura do artista e chargista Fred Ozanan, que é campinense. 

Foto: Glauco Araújo/G1

 O título de “O Maior São João do Mundo” vai escrito no solado da sandália, que também apresenta desenhos estilizados de ícones da festa junina. A cada ano o modelo se renova e surpreende os turistas. O estande da Havaianas no Parque do Povo já é ponto de visita garantido.

 Por dia, centenas de pares são vendidos e o calçado ainda pode ser entregue em casa, junto com um cartão-postal também temático. É uma forma de diminuir o volume da bagagem para quem leva a sandália de lembrança para familiares e amigos. A peça custa R$ 19,99 e, antes mesmo do término do São João, algumas numerações já acabaram.  A fábrica de Campina Grande produz sete pares por segundo e é a responsável pelos calçados vendidos no país e no mundo. Nos Estados Unidos custam em média U$ 24.00 e a cada verão, as revistas de moda divulgam  as sandálias brasileiras em suas páginas.

 Glauco Araújo/G1

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