Arruda chora por ser primeiro governador preso no país
Publicado por Tulio em 13 março, 2010.

O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) aparece na janela da sala onde estava preso na Polícia Federal (Foto: Rede Globo/Reprodução)
Preso na Superintendência da Polícia Federal há um mês, o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), é hoje “um homem desinteressado pelo tempo e depressivo”, que tem como distração o banho de sol diário de 30 minutos e as anotações que faz em folhas de papel fornecidas pela Polícia Federal. Amigo de Arruda, o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), ex-secretário de Transportes do DF, é quem relata o drama familiar vivido pelo governador, preso desde 11 de fevereiro por suspeita de tentar subornar uma testemunha do mensalão do DEM de Brasília.
“Ele vive uma tortura psicológica. É um homem que chora, que tem a voz embargada sempre que lembra da filha, sempre que lembra que foi o primeiro governador [no exercício do cargo] a ser preso no país”, relata Fraga.
Em 31 dias de reclusão, o governador convive em um círculo bastante restrito. É visitado com maior frequência pela mulher, que leva o almoço a ele todos os dias, e pelos três advogados. O arcebispo de Brasília, Dom João Braz Aviz, esteve com Arruda no dia 23 de fevereiro e, nesta última semana, o médico Brasil Caiado passou a avaliá-lo clinicamente. Afora isso, a companhia de Arruda fica por conta dos carcereiros que fazem a segurança do local.
Além do quadro “emocional abalado”, como relatou o médico particular Brasil Caiado, Arruda passou por uma série de exames para diagnosticar uma suposta trombose no pé direito, verificar pressão e identificar possíveis quadros de hipertensão. Antes de conseguir autorização judicial para que o governador fosse examinado pelo médico particular, o governador foi levado ao hospital para fazer um ultrassom no pé, devido a um inchaço.
Padecendo por ter quadro de diabetes, Arruda também fez exames de urina e sangue. Todos os diagnósticos clínicos apontaram para o bom estado de saúde do governador. Nesta quinta, Arruda saiu pela segunda vez da superintendência da PF, para fazer uma ressonância magnética. O resultado não foi divulgado pela PF.
‘Será que vão me torturar para renunciar?’
Fraga relata conversas em que o governador fala da possibilidade de renúncia. “Arruda pergunta: ‘Será que vão me torturar para renunciar?’” O deputado conta ser “surpreendente” aos olhos do governador a reação em torno das imagens em que ele aparece recebendo um maço de dinheiro das mãos de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda e pivô do escândalo do mensalão do DEM de Brasília. “Ele diz que nunca imaginava ver essa fúria mortal contra ele.”
Desde o primeiro dia de prisão, o advogado Nélio Machado tentou, junto com seu sócio, Cristiano Maronna, libertar Arruda por meio de habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 12 de fevereiro, o relator do caso na Suprema Corte, Marco Aurélio Mello, conferiu a primeira derrota aos defensores ao negar o pedido de soltura em caráter liminar (provisório).
No dia 4 de março, quando finalmente o caso foi levado ao plenário do STF, o voto detalhado de 32 páginas de Marco Aurélio fez com que nove dos dez ministros que participavam da sessão votassem pela permanência do governador na PF Só o ministro Dias Toffoli votou pela libertação de Arruda, alegando que a prisão deveria ter autorização do Legislativo distrital.
Desde então, os advogados têm trabalhado para conseguir cópia integral do inquérito do STJ para só então formalizar uma nova estratégia para tirar Arruda da prisão. O pedido de cópia integral está em poder do ministro Fernando Gonçalves, que deve julgá-lo depois de receber o parecer da Procuradoria Geral da República.O STJ também aguarda autorização do Legislativo distrital para abrir ação penal contra Arruda pela suposta falsificação de notas fiscais para pagamento de panetones e no próprio caso de suborno que o levou para prisão.
Impeachment e infidelidade partidária
Além de buscar a libertação do governador, os advogados também atuam para evitar que Arruda seja cassado por infidelidade partidária no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Ação proposta pelo Ministério Público Eleitoral está na pauta do julgamento da próxima terça-feira (16) do tribunal. Há ainda processos de impeachment abertos na Câmara Legislativa em fase avançada de tramitação.
Fonte: G1
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