
Beyoncé Giselle Knowles paga suas próprias contas. Pinta as unhas, arruma o cabelo, vai para festas com as amigas… e deixa o namorado em casa. Veste roupas sensuais, dança e canta de forma provocante: “Você está olhando como se estivesse gostando. Por que não levanta e vem falar comigo?”. Hipnotiza, encanta e assusta: “Eu vou te deixar ficar comigo. Só não seja impertinente”. Para os que não entenderam o recado, ela aponta a caixa que deve ser usada para juntar os pertences e desaparecer de sua vida (“a da esquerda, da esquerda”). Também avisa a esses infelizes que quem gosta mesmo coloca um anel em seu dedo – como fez o astro rapper Jay-Z. Beyoncé está no comando. Há uma década. A texana de 28 anos, considerada a maior cantora pop do momento, cumpre o que canta. E o que canta representa um novo poder feminino, em forma de música pop. Ela faz parte de uma linhagem de estrelas musicais que desafia o domínio masculino, de Tina Turner a Lady GaGa, passando por Madonna. No auge da carreira, Beyoncé chegou ao Brasil para mostrar do que a mulher da primeira década dos anos 2000 pode – e deve – ser capaz.
A cantora desembarcou na quinta-feira, em Florianópolis, poucos dias depois de ter lançado seu primeiro perfume – Heat (calor) – e feito a festa na 52a edição do Grammy: levou seis dos dez troféus que disputava, feito inédito para uma artista mulher. Trouxe o marido, Jay-Z, e o pai, Matthew Knowles. Escoltada por 20 policiais em cinco carros blindados, Beyoncé baixou o vidro do carro que a levava do aeroporto ao hotel no centro da cidade e acenou. Jay-Z buzinou. Ali mesmo, os fãs anteciparam o delírio que marcaria seu primeiro show, à noite.
O evento em Florianópolis, ao ar livre, no Parque Planeta, foi um exemplo de megashow pop contemporâneo, alimentado por alta tecnologia, danças arrebatadoras e até do abrir e fechar de imensas cortinas, ao modo de um teatro. Em duas horas de palco, Beyoncé provou ser uma diva do pop, capaz de dançar e cantar (não apenas fingir que canta) no meio do público, ao mesmo tempo que conversava e tocava os espectadores.
No palco, ela se apoia em 22 artistas, entre bailarinos, cantores e a banda feminina Suga Mama. Beyoncé se mostra uma artista madura. Nos intervalos entre as músicas, encara o público e faz charme com o cabelo. Quando a música volta a bombar, sai requebrando e solta seu vozeirão. Os espectadores, a maioria na faixa dos 18 aos 30 anos, vão ao êxtase. Só faltou voar. Não é que ela não seja capaz. As limitações técnicas do palco é que não permitiram sua ascensão por cabos de aço.

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