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Minas é totalmente inconfidente

Publicado por Ed Torres em 21 de abril, 2009.


Tiradentes

21 de Abril é a comemoração da Inconfidência Mineira: movimento político ocorrido em 1789, encabeçado por Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. A insatisfação para com a monarquia portuguesa baseava-se em dois pontos importantes: cobrança de impostos exorbitantes, especialmente da extração de ouro e diamantes (20%) e a explusão dos padres jesuítas do Brasil, em 1759 (que pregavam a revolta contra a coroa portuguesa por considerá-la uma tirania).

D. José I, não gozava de boa reputação ante aos olhos e julgamento dos mineiros da época.

Além do famoso movimento inconfidente de Ouro Preto, outras “inconfidências” foram praticadas em Minas Gerais:

  1. Curvelo, comarca do Rio da Velhas (1760): um documento supostamente escrito pelo papa, proferia ofensas contra o rei português.  Em Portugal vários nobres, juntamente com a igreja católica conspiravam contra D.José I. No interior da hierarquia da igreja católica, entretanto, a condenação de Portugal não era algo unâmine. Alguns padres, detentores de grandes extensões de terra e de riquezas, atuavam como olheiros e reprentantes do império, colaboravam com a perseguição e prisão dos revoltosos. Na verdade, era uma disputa de prestígio político na região.

  2. Em 1776 Curvelo novamente é envolvida num novo movimento inconfidente. Desta vez, o padre Carlos José de Lima é condenado por falar mal do rei.

  3. Mariana, 1769:  Pe. Ignácio Corrêa de Sá é preso. Ele falava mal do rei. Seus colegas de profissão e missão eram os denunciantes (alguns cônegos do bispado de Mariana). Mais uma vez, era uma disputa política local onde os colegas sacerdotes estavam perdendo prestígio político e controle de algumas regiões. O acusado ficou preso até 1777.

  4. Sabará, 1775: ouvidor José de Goes Ribeiro Lara de Morais e o vigário geral José Corrêa da Silva foram acusados de crime de inconfidência (falar mal do rei e do Marquês de Pombal), sonegar impostos, desviando ouro e diamantes, além de manipulação de cargos públicos.

Todos estes fatos aos poucos foram ganhando contornos maiores diante da insatisfação das elites locais contra as medidas do império e de seu representante local, o temido e odiado Marquês de Pombal.

Em 1789 o movimento da Inconfidência Mineira ganhou contornos políticos mais radicais e explícitos onde o rompimento com a coroa portuguesa era o principal objetivo.


Leia mais: As outras inconfidências mineiras. Prof. Leandro Pena Catão



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