
A estudante de psicologia Renata Perone, de 22 anos, montou um blog com as amigas. Voltado para o público feminino, a página recebia comentários de todo tipo de gente. Um homem começou a enviar e-mails, elogiando os textos, passando número de celular e msn. “Na inocência, achei que tivesse feito um amigo.” Renata não podia estar mais errada. Ele começou a fazer ameaças, ligar para ela de madrugada, publicar seus dados na internet de forma indiscriminada. “Fiquei muito mal. Durante algum tempo não consegui escrever no blog nem articular minhas ideias.” Renata ignorou as ameaças e, com o tempo, o homem desistiu das provocações.
O ciberbullying, prática da qual Renata foi vítima, está se tornando cada vez mais comum. A Safernet, uma organização que busca a segurança na internet, fez uma pesquisa voltada para os jovens. O resultado mostra que 35,2% dos jovens já sofreram ameaças e provocações por meio da internet.
Os pais também têm um papel fundamental quando o assunto é ciberbullying. Especialmente depois que os jovens se tornaram vítimas. É imprescindível dar apoio moral, para que o adolescente não acredite nas brincadeiras de que é vítima. Os pais também não devem proibir o uso da internet em casa, pois isso só facilita a ação dos colegas. “O jovem acaba usando na lan house, na casa do amigo, na escola… Devem-se colocar limites, como no caso de outros espaços públicos”, diz Nejm. Os pais podem estar presentes, orientando o filho ao mesmo tempo que conhecem seu círculo de amizade.
O ciberbullying é crime quando possui enquadramento penal, como racismo, calúnia, difamação, ameaças de morte. O promotor de Justiça Lélio Braga Calhau, autor do livro Bullying – O que você precisa saber, diz que a maioria dos casos registrados acaba arquivada por falta de provas. “É preciso dar print screen nas páginas, salvar as provas, para facilitar a identificação do agressor”, diz. Em seguida, a vítima deve procurar a delegacia de crimes virtuais.
Esse caminho da justiça deve ser o último a ser percorrido. “Sempre é possível mediar o problema”, afirma Nejm. Com orientação e apoio dos pais e da escola, a prática pode ser evitada e seus danos, minimizados.
Fonte G1 por André Sollitto
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