
Diversão para alguns, desconforto para outros. Você se sente bem depois de uma sessão de 2h30 de cinema 3-D?
Dor de cabeça, tontura, náusea, dor nos olhos, na testa, desconforto visual, ardência nos olhos e sensação de cansaço. Parecem até sintomas de dengue ou de alguma virose, mas não são. E eles podem evoluir para crises de epilepsia ou labirintite, dependendo do caso. Quem diria que assistir a um filme num cinema 3-D poderia ser tão prejudicial… Mas apenas a quem tem alguma pré-disposição, como ser epiléptico, ter labirintite, sofrer de enxaqueca ou ter insuficiência de convergência (nome dado à movimentação dos olhos para unificar a visão dos dois olhos). Se você for estrábico ou tiver visão alternante (quando a leitura, feita pelo cérebro, da visão de um olho é melhor que do outro) não terá sintomas, mas também não conseguirá aproveitar o melhor do 3-D: quando as imagens parecem saltar da tela. Para esta que vos fala, a experiência no Imax foi catastrófica, o que motivou esta reportagem.
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Sintomas:
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| • dores de cabeça • náuseas • tontura • dores na testa • dores no globo ocular • dores na nuca • ardência nos olhos • cansaço |
Casos mais graves são os de epilepsia e labirintite. Os mesmos avisos que são dados em simuladores 3-D nos parques deveriam ser obrigatórios para o cinema. “A sensação de movimento pode causar crises de labirintite. E existe um tipo de epilepsia desencadeada pela luz, chamada foto-sensível, que deve manter o epiléptico longe do cinema”, afirma o neurologista. Não existem contra-indicações muito rígidas quanto ao cinema 3-D, mas esses dois casos devem ser levados em conta principalmente para quem deseja experimentar as salas Imax – por enquanto só há duas no Brasil, em São Paulo e Curitiba.
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Alerta:
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| • Epilépticos: existe um efeito chamado nistágmo optocinético que é quando um objeto passa em alta velocidade na frente dos olhos e, sem querer, nossos olhos acompanham o movimento. O filme 3-D explora muito isso com as imagens explodindo e correndo de um lado para o outro. Isso pode causar enjoo e, em maior volume, desencadear a epilepsia. É a mesma causa apresentada por cientistas para explicar a ligação de alguns desenhos animados e videogames com a epilepsia infantil, junto a luzes estroboscópicas.
• Labirintite: a sensação de estar no meio da ação do filme, ou em movimento, pode causar crises da doença.
• Enxaqueca: luzes piscantes e muito movimento levam a dores de cabeça intensas e enjoo, principalmente para quem já tem histórico de enxaqueca.
• Qualquer problema na visão: se a pessoa não tiver boa visão em um dos olhos, ou nos dois, não poderá assistir ao 3-D, cuja tecnologia depende do uso simultâneo (e, portanto, da boa saúde) dos dois olhos. Se a pessoa enxergar só com um deles, ou for estrábica, também não deve ir ao cinema. • Pessoas que usam lentes de contato ou óculos devem usá-los durante a sessão de cinema, sob os óculos 3-D |
Se Avatar foi uma revolução no modo de assistir cinema, só atingirá uma parte da população. A outra ainda deverá se acostumar para sentir prazer ao ver os personagens pulando sobre seus colos nos cinemas. Ou, pior: qualquer problema na visão
”O paciente muito sensível ao movimento e à luz excessiva e com cinetose (aquele que normalmente sente náuseas em viagens de ônibus), pode ter uma crise de enxaqueca no cinema“, diz Elder Machado Sarmento, reponsável pelo departamento de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia. Ele mesmo, ao assistir Avatar em uma exibição 3-D teve náusesas. É a mesma sensação de quem sente enjoo nos brinquedos de alta velocidade em um parque de diversões. “Você tem a sensação de estar em movimento”, afirma.
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