O que realmente aconteceu?
Trechos de “Perfis Brasileiros: D. Pedro II”, de autoria do historiador
José Murilo de Carvalho
Capítulo 29: “Estão todos loucos!”
“Dois dias após o baile [o Baile da Ilha Fiscal/RJ, o último da Monarquia], em 11 de novembro, houve a única reunião dos conspiradores militares com republicanos civis. Deodoro não queria a reunião, não queria que casacas se metessem num assunto que para ele era estritamente militar. Três civis compareceram: Quintino Bocaiúva, Aristides Lobo e Rui Barbosa. O marechal continuava a hesitar, resistindo ao assédio de Benjamin e outros militares, que martelavam o argumento dos planos do governo contra o Exército. No final, pareceu concordar. Mas havia ainda muita incerteza e insegurança. No dia 14, Benjamin era favorável a um adiamento do movimento para o dia 18 a fim de que houvesse melhor preparação. (…) No entanto, o major Sólon decidiu fazer o oposto, precipitar o movimento. Dirigiu-se ao centro da cidade e começou a espalhar boatos que ele mesmo inventara de que o governo ordenara a prisão do marechal Deodoro da Fonseca e de Benjamin Constant e que a Guarda Nacional, a polícia e a Guarda Negra iam atacar os quartéis do Exército.
Os boatos foram transmitidos aos três regimentos de São Cristóvão trabalhados pelos conspiradores, e o golpe entrou em fase de execução às onze horas da noite do dia 14. Deodoro e Benjamin não sabiam de nada. Foram levados para o Campo de Santana, onde se localizava o quartel-general, um regimento de cavalaria, um de artilharia e um de clavineiros, além da Escola Superior de Guerra. Eram mais ou menos seiscentos soldados, a maioria sem saber exatamente o que iria fazer, ou pensando que iria defender o Exército contra a Guarda Nacional e a polícia, como confessou um dos conspiradores. (…) Os republicanos haviam reunido algumas pessoas e davam vivas à República. O marechal mandou que se calassem.”
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